Mila Seidl, esposa do influenciador Lito Sousa, negou nas redes sociais, no último sábado, 5 de setembro, acusações de favorecimento na aprovação de um medicamento experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob. Segundo ela, a família tomou a iniciativa da negociação com a farmacêutica e da reunião da documentação necessária, com apoio médico, seguindo regras previstas em lei.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento na sexta-feira anterior, 4 de setembro, em caráter excepcional.
Como o processo foi conduzido
Segundo Mila, a preparação técnica envolveu trabalho intenso com o doutor Fugino, médico responsável pelo acompanhamento de Lito, além da organização de exames e da documentação fornecida pela farmacêutica.
O processo passou pela própria farmacêutica, pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa e pela agência reguladora norte-americana (FDA). O interesse gerado pelo caso nas redes sociais motivou uma reunião com representantes da farmacêutica, que resultou na liberação do uso compassivo. Depois disso, Mila conduziu pessoalmente todas as etapas necessárias junto aos órgãos reguladores para viabilizar a importação do produto.
Critérios que levaram à aprovação excepcional
A Anvisa confirmou o caráter excepcional da liberação e apontou a evolução rápida da doença e a falta de patrocinador ou representante oficial do medicamento no Brasil como fatores decisivos. Decisões dessa natureza consideram a gravidade do quadro clínico e a ausência de alternativa terapêutica satisfatória disponível no país.
O medicamento ainda está em fase pré-clínica, e não há estudos formalmente iniciados em seres humanos para tratar a doença priônia. A avaliação também levou em conta o caráter letal e irreversível da condição enfrentada por Lito. Em 2024, o prazo médio de autorização de programas de uso compassivo foi de 15 dias, e naquele ano, foram concedidas 48 autorizações.
Por que a família recorreu ao medicamento experimental
Antes de buscar o uso compassivo, Lito e sua família tentaram participar de um estudo experimental nos Estados Unidos. Segundo Mila, esse caminho parecia mais direto e era, para a família, a melhor opção, especialmente após a divulgação do caso nas redes sociais. A tentativa não avançou porque o estudo estava fechado para novos participantes, o que levou à busca por alternativas junto à farmacêutica.
A equipe de Lito fará a importação da medicação, que deve chegar ao Brasil entre sete e nove dias. As autoridades sanitárias tratam o caso como excepcional, e a Anvisa não indicou que ele abra precedente para outros pacientes fora dos critérios já estabelecidos para programas de uso compassivo.










