Onze proprietários de um condomínio à beira-mar em Nassau Bay, perto de Houston, nos Estados Unidos, seguem pagando taxas de condomínio por unidades que deixaram de existir no incêndio ocorrido em 29 de março de 2021. O complexo, chamado Bayfront Towers, teve 11 unidades reduzidas a escombros, e outras 26 sofreram danos pesados de fumaça e água.
Passados mais de cinco anos da tragédia, as cobranças da associação de moradores nunca pararam. Ninguém ficou ferido no incêndio, mas os proprietários continuam arcando mês após mês com o prejuízo financeiro.
Contas que não param de chegar
A moradora Sarah Arends, cujo apartamento de esquina no térreo foi destruído, ainda paga US$ 767 por mês em taxas associativas — quase US$ 10 mil por ano — por um imóvel que não existe. Arends disse ao Houston Chronicle que era absurdo continuar pagando as taxas sem saber quando poderia voltar a morar ali.
Outra proprietária atingida, May-Ying Lam, já pagou pouco menos de US$ 50 mil em taxas desde o incêndio. Ela disse que pagar por um apartamento inexistente era indefensável.
Taxas extras e obras atrasadas
O dinheiro do seguro e as reservas financeiras não foram suficientes para custear a reconstrução. Diante disso, a Bayfront Condominium Association aplicou três cobranças extraordinárias que somaram US$ 38.249 por unidade, arrecadando mais de US$ 2,8 milhões dos donos do complexo.
A obra se arrasta há anos e já passou por pelo menos quatro empresas contratadas e consultores diferentes. A atual responsável pela reconstrução, a Sunrise Certified Services, deixou de cumprir seis prazos prometidos ao longo de dois anos. A empresa não respondeu aos pedidos de comentário da imprensa.
Sem previsão legal para suspender cobranças
A associação sustenta que, mesmo quem não pode ocupar o próprio imóvel, continua responsável pela parcela das despesas do condomínio. Segundo Gwen Curlee, tesoureira da Bayfront Condominium Association, os custos de manutenção e seguro continuaram e aumentaram desde o incêndio. O estatuto interno da associação não prevê a suspensão das cobranças em caso de desastre.
Moradores decidem colocar à venda
Arends afirmou que pretende vender sua unidade assim que a obra for concluída e o imóvel receber o certificado de ocupação. Duas das 11 unidades destruídas já foram colocadas à venda. Uma delas custa US$ 200 mil, mais de US$ 50 mil abaixo do valor de mercado avaliado.
O caso ocorre numa região onde viver em condomínio é comum: cerca de 55% das moradias da região metropolitana de Houston são regidas por associações de proprietários. Isso equivale a quase 1 milhão de casas, segundo dados do Censo americano — o maior número entre as regiões metropolitanas dos Estados Unidos. Enquanto isso, os 11 donos do Bayfront Towers esperam a reconstrução de seus imóveis.










