Aos 7 anos, José Carlos Mendes Ricardo começou a acompanhar o pai entre as bancas do Ceasa de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde ele vendia batata-doce. Atualmente, aos 53, ele continua no mesmo lugar, porém agora, trabalhando com mamão e melão.
A trajetória da família passou por um período de fartura, seguido de uma perda que mudou tudo. O negócio que o pai construiu como produtor e dono de banca desapareceu depois que ele adoeceu gravemente, e José precisou recomeçar do zero dentro do próprio mercado.
O apelido que virou marca no Ceasa
No Ceasa, o pai de José era conhecido pelo apelido de “Homem da Batata Doce”, uma referência à fama de suas mercadorias. Em entrevista a um portal local, ele relembrou que enviava mercadorias para cidades como Corumbá e Dourados, nos tempos de maior movimento.
José disse ao Lado B que nunca se constrangeu com o apelido herdado do pai e que ninguém zombou dele por causa disso.
Da fartura ao recomeço como funcionário
O câncer que atingiu o pai levou à morte dele e marcou a história da família. A doença também desfez a estrutura comercial que sustentava a casa, e José conta que ficaram sem nada. Anos depois, ele voltou ao Ceasa como empregado, não mais à frente de um negócio próprio.
A batata-doce que definiu a história do pai ficou para trás, substituída pelo trabalho com mamão papaia, mamão formosa e melão.
Uma vida inteira ligada ao mercado
A história de Paulo começou muito antes, também no mesmo local. Segundo o Ceasa de Campo Grande, ele passou a trabalhar no local aos 9 anos, ajudando o pai na venda de frutas. Ele atuou como carregador durante 15 anos, até mudar de função por causa de um problema de saúde.
Foi só em 2020 que Paulo conseguiu um espaço próprio dentro do mercado, depois de pedir à direção. As duas histórias mostram como o Ceasa funciona há décadas como ponto de partida e também de recomeço para famílias inteiras.
Sustento dentro do mercado
Para complementar a renda, José encontrou uma atividade paralela dentro do próprio mercado: a reciclagem de caixas vazias de banana, enviadas depois para São Paulo e Minas Gerais. Ele contou que essa fonte extra de dinheiro foi o motivo pelo qual nunca sentiu necessidade de investir em um ponto próprio, embora tenha crescido observando o pai como dono de banca.
Carregar caixas de madeira e plástico todos os dias tornou-se parte da vida dele ao longo de quase três décadas como funcionário. Esse esforço físico constante permitiu sustentar a família e criar os filhos, segundo relatou ao Lado B.
Transformações e um desejo pessoal
A rotina é puxada: José chega por volta das 3h e em alguns dias sai perto das 21h. Mesmo assim, ele lembra que as condições melhoraram bastante, e “José disse ao Lado B que hoje os trabalhadores são registrados, ao contrário do que ocorria antigamente. Segundo ele, o sistema era bruto, mas agora há leis.
José também acompanhou o crescimento do movimento no Ceasa e as mudanças nos produtos, na rotina e no volume de comércio. Apesar de tantas mudanças, ainda guarda um desejo pessoal: reencontrar parentes do sobrenome Ricardo na cidade de Duartina, no interior de São Paulo, com quem perdeu contato.










