Em 1945, Silvio Santos começou a trabalhar nas ruas do Rio de Janeiro, vendendo capas para títulos de eleitor e canetas para ajudar a família. Enquanto vendia os produtos, fazia truques de mágica para atrair clientes. Os truques chamaram a atenção de um fiscal da prefeitura.
Em vez de puni-lo, o fiscal percebeu algo diferente naquele jovem ambulante e sugeriu que ele buscasse trabalho como locutor de rádio, profissão que aproveitaria melhor sua voz e seu jeito natural. O conselho do fiscal o levou a vencer seu primeiro concurso na Rádio Guanabara e mudou sua carreira.
Do rádio aos negócios próprios
Depois de vencer seu primeiro concurso na Rádio Guanabara, Silvio trabalhou em outras emissoras. Nas viagens de barca entre Rio e Niterói, a caminho dos estúdios, identificou uma lacuna no mercado: os passageiros precisavam de distração e entretenimento durante o trajeto.
Durante três anos, Silvio anunciou produtos entre músicas usando o sistema de som da barca. A atividade gerou lucro até a embarcação quebrar, e já em São Paulo, ampliou os negócios ao criar uma revista com palavras cruzadas, passatempos e anúncios para aumentar a renda.
Sua capacidade de enxergar oportunidades onde outros viam apenas rotina aparecia tanto nas ruas do Rio quanto em São Paulo. Silvio montou shows de circo em frente à Igreja de Santa Cecília e os levou a outras cidades com o nome de “Peru que Fala”, apelido que ele próprio explicava como reflexo de sua timidez naquele período.
O baú da Felicidade e o império empresarial
No final dos anos 1950, Silvio assumiu o controle do Baú da Felicidade, negócio que enfrentava dificuldades financeiras. Clientes pagavam em parcelas mensais para receber um baú de brinquedos no fim do ano.
Ele e a esposa começaram a fazer as embalagens manualmente. O negócio cresceu rapidamente e passou a oferecer baús de outros produtos. Na década de 1970, a empresa Silvio Santos operava dez negócios, entre construtoras, concessionárias de automóveis e seguradoras.
Quando estreou na TV Paulista, na década de 1960, Silvio criou programas para entreter e dar prêmios, combinando sua habilidade como animador com seu olhar empresarial aguçado. A facilidade em se comunicar de forma simples e direta, compreendida por audiências de todas as camadas sociais, tornou-se um de seus principais trunfos.
Da televisão à consolidação do império
A aquisição do primeiro canal de televisão consolidou o que viria a ser o SBT, Sistema Brasileiro de Televisão, e colocou Silvio entre os maiores empreendedores do país. Décadas depois, uma crise financeira no Banco Panamericano colocou em risco as outras empresas do grupo.
Em 2011, o banco foi vendido, e segundo o G1, Silvio dizia que, se não entendia de banco, não fazia sentido manter o negócio. Ao lembrar sua trajetória, Silvio atribuía seu sucesso ao trabalho intenso e à dedicação. Também dizia que trabalhar muito era determinante para alcançar o sucesso, embora reconhecesse que fatores como a sorte fossem subjetivos.
Para quem quisesse vencer na vida, aconselhava não se preocupar com elogios ou críticas, seguir a intuição e o bom senso e deixar a vaidade de lado. Para ele, todas as coisas eram difíceis e exigiam luta.










