Longe dos palcos dos Rolling Stones, é em um castelo francês do século XVIII que o cantor Mick Jagger encontra seu refúgio pessoal. Localizado na cidade de Pocé-Sur-Cisse, no Vale do Loire, o imóvel leva o nome de Château de Fourchette e teve como antigo proprietário o duque Étienne-François de Choiseul (1.719-1.785), que atuou como diplomata e oficial do exército francês.
A propriedade foi comprada pelo cantor em 1980, por 2,2 milhões de francos franceses, e reacendeu um vínculo antigo: na infância, ele costumava passar as férias a cerca de dez minutos dali, em um camping chamado Île d’Or. Desde então, o artista se dedica a reformas e aos cuidados pessoais com a extensa área rural.
Espaços de lazer e um toque de arquitetura oriental
O terreno soma cerca de 20 hectares e reúne lago, cachoeira, piscina e quadra de tênis entre jardins bem cuidados. Chama atenção um pagode japonês erguido no meio da paisagem francesa, com os pavimentos e telhados sobrepostos típicos da arquitetura oriental.
Mick Jagger costuma passar o verão europeu no local, e moradores relatam que ali também acontecem as festas de aniversário do cantor. Sempre em 26 de julho — às vezes com direito a fogos de artifício.
Um estúdio que marcou os Rolling Stones
Dentro do castelo funciona um estúdio profissional de gravação usado pela banda. Foi nesse estúdio que a banda produziu parte das faixas de A Bigger Bang, disco que chegou às lojas em 2005 encerrando um hiato de oito anos sem material inédito gravado em estúdio.
O espaço serviu de cenário em outro momento marcante: durante o isolamento da pandemia de Covid-19. Jagger apareceu em vídeos gravados por lá, incluindo uma participação no The Tonight Show, programa apresentado por Jimmy Fallon.
Rotina simples longe da fama
Entre uma turnê e outra, o músico troca o microfone pela horta, pela poda das roseiras e até por reparos no carro. As ovelhas que vivem no terreno também fazem parte da rotina doméstica que ele mantém por lá.
Apesar do nome mundialmente conhecido, Jagger não passa despercebido entre os vizinhos de Pocé-Sur-Cisse, que guardam lembranças de encontros e da presença constante do cantor na região ao longo dos anos.
Por que Jagger tocou bateria em um álbum dos Rolling Stones?
Durante a composição inicial de A Bigger Bang no castelo, quando Charlie Watts ainda não havia se juntado ao processo criativo, Mick Jagger gravou bateria nas primeiras versões de demonstração das músicas.
Essas gravações serviam como guia para orientar o trabalho posterior. Embora Watts tenha reegravado a bateria em praticamente todas as faixas quando chegou, a batida original de Jagger permaneceu no resultado final de quase todas elas — um detalhe raro e notável na história do álbum.
A estratégia minimalista que funcionou
A Bigger Bang foi gravado com uma abordagem radicalmente simples: a maioria das faixas começava com apenas Jagger, Richards e Watts tocando juntos. Ronnie Wood, o guitarrista, participou de apenas dez das dezesseis músicas, não comparecendo a muitas sessões. Depois que esses três gravavam a base, outros músicos adicionavam camadas de som.
Essa metodologia de voltar ao essencial contrasta com o álbum anterior da banda, que tinha vários produtores e convidados. O resultado foi um som mais enxuto, direto e focado no núcleo criativo da banda.










