As dez maiores empresas gaúchas somaram 197,2 bilhões de reais em receita no ano de 2025, reforçando o peso do estado na economia do Brasil. À frente do ranking está a Metalúrgica Gerdau, cujos 69,8 bilhões de reais em receita superam o total somado das duas empresas seguintes na lista.
Bancos também aparecem entre as líderes: o Banrisul faturou 21,7 bilhões de reais e o Banco Cooperativo Sicredi, 20,6 bilhões, ocupando a segunda e a terceira posições do ranking. Cerca de 6,5% de tudo que o Brasil produz vem do Rio Grande do Sul, parcela que sobe para próximo de 14% quando se olha só para o agronegócio. Os números refletem uma economia diversificada, com atuação em siderurgia, bancos, agronegócio, energia e moda.
As dez maiores empresas do estado
Depois dos três primeiros colocados, aparecem empresas de setores variados. A 3tentos, do agronegócio, faturou 16,4 bilhões de reais, seguida pelas Lojas Renner, de moda e varejo, com 15,8 bilhões. A Randoncorp, de bens de capital, registrou 13,1 bilhões de reais, enquanto a RGE Sul, de energia elétrica, movimentou 12,3 bilhões.
A Be8, de bioenergia, cresceu 36% e alcançou 10 bilhões de reais, impulsionada pela compra de usinas em Mato Grosso, Piauí e Pará. Marcopolo, de bens de capital, somou 9 bilhões de reais, e a SLC Agrícola, do agronegócio, chegou a 8,5 bilhões. No último ano, a Gerdau vendeu 11,63 milhões de toneladas de aço, alta de 5,9% em relação a 2024.
Expansão internacional impulsiona o crescimento
Sete das dez maiores empresas geram receitas fora do estado ou do país, o que marcou o desempenho em 2025. Na Marcopolo, os negócios internacionais representaram 45,4% da receita líquida, contra 36,3% no ano anterior.
A fabricante passou a produzir localmente os ônibus G8 na África do Sul, na China e no México, além de realizar a primeira exportação de sua divisão de trens, com o envio de três composições ao Chile.
Com receita 28% maior, a 3tentos registrou lucro recorde de 808,7 milhões de reais no ano em que completou 30 anos. A SLC Agrícola encerrou o ano com receita e lucro recordes de 565,2 milhões de reais. A Randoncorp viveu trajetória semelhante, com receita de 13,1 bilhões sustentada pela expansão internacional.
Gerdau: de fábrica falida a potência das Américas
A maior empresa gaúcha nasceu do fracasso, e em 29 de dezembro de 1900, a fábrica de pregos Pontas de Paris em Porto Alegre foi leiloada por insolvência. João Gerdau, imigrante alemão desembarcado no porto de Rio Grande em 1869, comprou o negócio e o registrou na Junta Comercial em 16 de janeiro de 1901.
O aço só surgiu quase meio século depois, e em 1946, a morte de Hugo Gerdau, filho do fundador, levou o genro Curt Johannpeter à direção. Em seguida, a fábrica de pregos adquiriu a Siderúrgica Riograndense, e em 1957, veio a usina de Sapucaia do Sul.
Hoje presente em dez países, a companhia se firmou como a maior produtora de aço longo das Américas, sob controle da família Gerdau Johannpeter, com sede mantida em Porto Alegre.
Desafios e perspectivas da siderurgia gaúcha
A margem de lucro da Gerdau caiu em relação ao ano anterior, em meio às pressões do setor. O Brasil importou mais de 20% de seu consumo de aço do exterior no ano passado, o que indica concorrência maior.
O CEO da Gerdau definiu maio como prazo final para o governo apresentar soluções contra a concorrência chinesa, sob risco de revisão dos investimentos.










