A Globo demitiu os executivos Manuel Belmar, Pedro Garcia e Manuel Falcão nesta sexta-feira (4/9), após uma sequência de escolhas estratégicas que afetaram diretamente a audiência e a imagem da companhia. As demissões encerram a passagem dos três pelo grupo de mídia.
O caso de Belmar se destaca: ele passou mais de duas décadas na Globo, desde 2003. As saídas dos três refletem decisões que pesaram na avaliação interna da direção da emissora. Belmar e Garcia, responsáveis pelas áreas de finanças e direitos esportivos, recusaram a compra integral dos direitos de transmissão da Copa do Mundo. O que deixou mais de 50 jogos para a Cazé TV.
Falcão, responsável pela marca e pela comunicação institucional, sai depois que pesquisas internas apontaram deterioração na percepção do público sobre a empresa nos últimos anos.
O erro estratégico da Copa do Mundo
Quando a Fifa ofereceu todos os 104 jogos do torneio no segundo semestre de 2025, Belmar e Garcia rejeitaram o pacote completo. O argumento foi que transmitir a totalidade das partidas causaria uma “overdose” de conteúdo e saturaria o público. A Cazé TV obteve audiência expressiva nas partidas fora do acervo da Globo, o que levou ao reconhecimento público do erro estratégico.
Durante a pandemia, a Globo tentou renegociar contratos com a Fifa para reduzir os valores pagos pelos direitos, movimento que gerou atritos com a entidade. A rejeição ao pacote completo em 2025 abriu caminho para que a Livemode, dona da Cazé TV e parceira da Fifa desde 2022, consolidasse presença forte no mercado de transmissão esportiva.
A demissão dos dois diretores mostra o peso dessa escolha no desempenho financeiro e de audiência da companhia.
Trajetória de poder interrompida
Belmar ingressou na Globo em 2003 e, a partir de 2019, passou a comandar as áreas de Finanças, Jurídico e Infraestrutura. Sua proximidade com os herdeiros de Roberto Marinho (1904-2003) fez dele um dos nomes considerados para a presidência do grupo.
A relação de confiança, porém, não resistiu ao episódio da Copa do Mundo nem à consequente redução de receita e audiência da emissora. Garcia teve menos visibilidade pública que Belmar, mas sua responsabilidade pelos direitos esportivos o tornou corresponsável pela decisão que abriu espaço para a concorrência.
Mudança também na comunicação
A saída de Falcão tem outra causa, mas também está ligada ao desempenho da empresa. Um estudo interno apontou que o público passou a avaliar pior a marca Globo nos últimos anos. A piora na avaliação do público pesou na decisão de trocar o comando da área de comunicação institucional, sinalizando que a companhia busca redefinir sua imagem pública.
As três demissões reforçam que a disputa por audiência na Copa do Mundo teve efeito em cadeia na estrutura organizacional da emissora. A venda parcial dos jogos, que permitiu o crescimento da Cazé TV, tornou-se central na reestruturação e teve consequências para a liderança da emissora.










