Janderson marcou seu primeiro gol como profissional pelo Botafogo contra o Ypiranga-RS, na Copa do Brasil. O atacante chegou ao futebol de alto nível depois de vender doces e biscoitos pelas ruas do Rio de Janeiro, percorrendo até 30 km por dia a pé.
Com 23 anos, ele cresceu no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, em meio a dificuldades financeiras severas. A família passou por períodos de fome e falta de moradia, o que o obrigou a trabalhar ainda adolescente.
Do Mercadão às ruas
Antes de virar jogador, Janderson buscava balas, biscoitos e doces no Mercadão de Madureira e saía para vendê-los pelas ruas, em trajetos que às vezes iam até a Freguesia. “Nunca precisei fazer nada de errado, sempre fiz o certo”, disse após o gol contra o Ypiranga.
Futebol sem base estruturada
Sem nunca ter passado por categorias de base ou escolinhas, Janderson jogava apenas torneios amadores e peladas na comunidade. Em 2020, durante uma competição, o Angra dos Reis o chamou para testes. O clube, que disputava a segunda divisão do Carioca, o aprovou.
Pelo Angra, foram 17 jogos e 1 gol, suficiente para ser apontado como revelação da Segundona e atrair o Duque de Caxias. O salto seguinte veio com o São José-MA, que o contratou no início de 2022. Em 9 jogos, marcou 6 gols e deu 1 assistência, o que lhe rendeu um lugar na seleção do Campeonato Maranhense.
Depois, o Bahia de Feira de Santana, da Série D, o contratou. Pelo clube, Janderson marcou 7 gols em 15 partidas antes de chegar ao Botafogo.
A trajetória vista pelo clube
Luís Castro, técnico do Botafogo à época, comentou que histórias como a de Janderson frequentemente passam despercebidas no futebol. “Janderson já passou por situações que o agrediram muito mais do que qualquer coisa dentro de um estádio”, disse o treinador.
O gol contra o Ypiranga foi mais do que um resultado: encerrou o ciclo de quem vendia doces a pé pelas ruas do Rio e chegou ao profissionalismo sem nunca ter pisado em uma base estruturada.










