Uma pesquisa publicada em Scientific Reports analisou mais de 38.000 registros de acidentes entre 2020 e 2024 na Inglaterra e Gales e colocou em destaque os riscos reais dos patinetes elétricos. Os números mostram que usuários desses veículos têm risco 3,45 vezes maior de sofrer lesões cerebrais traumáticas em comparação com motociclistas.
O estudo também documentou proporções mais elevadas de lesões em órgãos internos e traumatismos vasculares entre usuários de patinetes em relação a motociclistas. Já em comparação com ciclistas, os usuários sofrem 1,74 vezes mais lesões cerebrais traumáticas.
Riscos físicos dos patinetes elétricos
O design dos patinetes explica parte significativa desses resultados. Diferentemente de outros veículos, o usuário permanece em pé, com o centro de massa elevado e deslocado para a frente. Essa posição cria um cenário perigoso em caso de frenagem brusca ou perda de equilíbrio.
Quando o condutor para repentinamente, a inércia o projeta para a frente, e a cabeça é frequentemente a primeira parte do corpo a impactar o solo ou um obstáculo.
As rodas de pequeno diâmetro e a ausência de suspensão tornam os patinetes particularmente vulneráveis a obstáculos comuns nas ruas, facilitando a perda de controle do veículo.
Falta de proteção adequada
Os pesquisadores identificaram que muitos usuários negligenciam equipamentos de proteção essenciais. O uso de capacete foi documentado em apenas 5,9% dos usuários de patinetes analisados no estudo britânico. A ausência desse equipamento é apontada como fator central no agravamento das lesões cranianas.
Pesquisadores italianos também analisaram o perfil das lesões em usuários de patinetes, constatando que 31,8% dos ferimentos afetaram membros superiores, enquanto 19,5% foram lesões na cabeça. A pesquisa indicou que 80% dos acidentes ocorreram sem a participação de outros veículos.
Diante dos dados, a pesquisa do Scientific Reports recomenda que os usuários trafeguem em velocidades baixas e utilizem sempre equipamentos de proteção completos. O estudo também aponta para a necessidade de limites de velocidade mais rigorosos e melhorias nos sistemas de frenagem dos veículos.










