A Havan foi a maior anunciante das afiliadas da Rede Globo no primeiro semestre de 2025. Entre janeiro e junho, a rede exibiu 2.132 peças publicitárias da varejista nos intervalos de telejornais e programas regionais da emissora. O resultado chama atenção porque o dono da marca, Luciano Hang, é um crítico público da linha editorial da Globo. Os dados são de um estudo da agência Tunad, publicados pela coluna Outro Canal.
Foco no interior
A estratégia da Havan mira as 118 afiliadas espalhadas pelo Brasil, com anúncios concentrados nos telejornais locais. As faixas escolhidas são o período matinal, entre 6h e 8h30, a tarde, das 11h45 às 13h, e o início da noite, das 19h15 às 19h40. Esses horários alcançam o maior número de telespectadores das classes C, D e E, que formam o público central das lojas da rede.
O investimento regional acompanha o plano de expansão física da Havan, que prioriza cidades do interior em vez das grandes capitais. Nessas praças, a televisão regional é um dos poucos meios com alcance amplo e audiência consolidada, o que torna as afiliadas uma opção eficiente para divulgar produtos a um custo menor do que na grade nacional. A empresa confirmou aumento de 30% nos investimentos totais em publicidade ao longo do ano.
Nacional, não. Regional, sim
Em entrevista à agência responsável pelo levantamento, Hang confirmou que a Havan boicota os noticiários nacionais da Globo por discordar do posicionamento político das reportagens. Para ele, a cobertura nacional distorce a realidade dos fatos, o que impede qualquer negociação de espaço publicitário nessa faixa.
O critério muda completamente quando se trata das afiliadas. A diretoria argumenta que os telejornais locais se concentram nos assuntos de cada região, o que elimina a objeção política e justifica a compra sistemática de espaço nos intervalos. Fora do noticiário, a Havan também já patrocinou transmissões de jogos da Copa do Mundo na Globo, mostrando que a relação comercial com a emissora vai além do jornalismo regional.










