Apagar as luzes do quarto, acender uma vela e repetir o nome “Bloody Mary” três vezes diante do espelho. Essa é a fórmula que o folclore de países de língua inglesa descreve para invocar o espírito conhecido como Maria Sangrenta. O levantamento histórico sobre os mistérios ligados ao objeto foi compilado pelo portal Flipar.
O medo do espelho no escuro não é coisa recente. No século XIX, moradores da América do Norte e da Inglaterra vitoriana cobriam os espelhos com tecidos durante os velórios. A crença era que a alma do morto poderia ficar presa dentro da superfície reflexiva se enxergasse o próprio reflexo.
Porta para outros mundos
A ideia do espelho como passagem entre dimensões aparece em culturas muito diferentes. Para os astecas, a divindade Tezcatlipoca, responsável pela noite e pela morte, usava os espelhos como canal entre o mundo físico e o espiritual. Na Europa do século XVI, o ocultista John Dee, conselheiro da rainha Elizabeth I da Inglaterra, realizava sessões para invocar anjos por meio dos reflexos.
Na Grécia Antiga, a leitura do futuro pelo reflexo tinha até nome: catoptromancia. A prática usava a imagem projetada em recipientes com água. Quando o recipiente caía e quebrava durante o ritual, os gregos interpretavam o acidente como sinal de tragédia iminente. Foram eles que originaram a superstição dos sete anos de azar. Os romanos adotaram a mesma crença e estipularam exatamente esse prazo, baseando-se nos ciclos de renovação da vida humana.
Na ficção e na cultura
O espelho migrou do folclore para a literatura e o cinema. O espelho falante da Branca de Neve, registrado pelos irmãos Grimm e adaptado pela Disney, teria inspiração em uma baronesa alemã da Baviera, região historicamente conhecida pela fabricação de vidros. O pai da jovem teria presenteado a madrasta com um espelho que deu origem à história.
Nem todas as culturas, porém, encaram o objeto com medo. No Paquistão, quebrar um espelho ou qualquer vidro por acidente é interpretado como sinal de que coisas boas estão por vir. Nos filmes de terror e na literatura fantástica, a ausência de reflexo dos vampiros nos espelhos é explicada pela crença de que esses seres não possuem alma.










