Um javali com peso estimado em quase 300 quilos foi abatido por caçadores no interior de Minas Gerais em julho. O animal, apelidado de Lendário pela comunidade local, causou destruição em propriedades rurais da região por cerca de dez anos antes de ser eliminado. A ocorrência foi divulgada pelo portal CompreRural, que repercutiu vídeos do animal após o abate.
O apelido veio do tamanho fora do padrão e da dificuldade extrema de captura ao longo de uma década. A carcaça tinha uma camada de gordura de cerca de 10 centímetros, proteção natural que ajudou o animal a sobreviver a tentativas anteriores de controle. Durante os anos em que circulou pela região, o javali chegou a matar cães das propriedades vizinhas. A comunidade planeja empalhar o animal por meio de taxidermia, em razão da fama que acumulou.

Espécie invasora no Brasil
O abate de javalis no Brasil exige autorização dos órgãos competentes e não é considerado caça indiscriminada. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) classifica o javali como espécie exótica invasora desde 2013, o que significa que o animal não pertence à fauna nativa e se reproduz de forma descontrolada, desequilibrando o ecossistema.
Os impactos são diretos na agricultura e no meio ambiente. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o animal tem o hábito de revirar o solo com violência em busca de alimento, destruindo lavouras de grãos, pastagens e pequenas criações. A espécie também invade áreas de preservação e destrói nascentes, além de representar risco de contaminação para a pecuária.
Outros casos no país
O abate em Minas Gerais integra uma série de registros nacionais envolvendo animais de grande porte. Em Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul, um javali estimado em 300 quilos já havia sido eliminado pelo controle ambiental. Em Paracatu, também em Minas, outro exemplar com cerca de 250 quilos foi abatido formalmente.
O problema se agrava com os javaporcos, híbridos gerados pelo cruzamento entre javalis e porcos domésticos. Esses animais também avançam pelas propriedades rurais e exigem manejo populacional contínuo e monitorado.










