° / °
Coluna

Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Mudança Partidária

Possível travessia do prefeito do Recife para o MDB amplia fôlego do PT para 2028

Nas hostes petistas, se faz uma leitura de que o PSB, ao estimular saída de Victor da federação, estaria livrando o PT de qualquer obrigação desde já. "Desejo do PT de voltar a disputar Recife e Pernambuco" é destacado por integrantes da sigla

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 03/11/2026 às 04:06

Humberto Costa, Dani Portela e João Paulo são nomes ventilados no PT para projetos majoritários/Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado; Jarbas Araujo/Alepe e Roberto Soares/Alepe

Humberto Costa, Dani Portela e João Paulo são nomes ventilados no PT para projetos majoritários (Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado; Jarbas Araujo/Alepe e Roberto Soares/Alepe)

Após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os integrantes do PT de Pernambuco ainda não foram à mesa para debater os próximos planos, mas, em conversas reservadas, a possibilidade de o prefeito do Recife, Victor Marques, trocar o PCdoB pelo MDB, como a coluna antecipara, passou a ser lida entre petistas como mais um impulso para que o partido se debruce sobre um projeto majoritário próprio.

O PSB atua em prol da travessia partidária do gestor municipal como precaução para não virar refém em 2028, uma vez que, hoje, Victor integra a federação PT-PCdoB-PV. Nas hostes petistas, o movimento passa a ser interpretado como um horizonte se abrindo. Há uma leitura latente nas coxias de que o PSB estaria livrando o PT de qualquer obrigação desde já. “Acho que um caminho se abre”, avalia, à coluna, uma fonte da sigla em reserva, ponderando que é cedo para projeções, mas admitindo que “ninguém pensa a curto prazo” nesse jogo.

Outro parlamentar do partido afirma haver, hoje, “uma unidade maior em torno de uma possível candidatura própria”. A mesma fonte realça “o desejo do PT de voltar a disputar Recife e Pernambuco”. Em seguida, pontua que essa é uma tendência posta “mesmo com Victor continuando na federação”. Para outro petista, esse desejo de candidatura própria “precisa ser coletivo” e isso é outro sentimento dominante na legenda, que tem mais de um nome posto à disposição. Entre eles, os deputados estaduais Dani Portela e João Paulo, ambos reeleitos este ano.

À coluna, Dani evita antecipar debate sobre projeto majoritário, mas sublinha os números alcançados pela legenda na corrida eleitoral deste ano. “O que posso dizer, hoje, é que vencemos uma eleição histórica. O partido saiu fortalecido nacionalmente e localmente. Ampliamos as bancadas estadual e federal, reelegemos Humberto Costa e, hoje, temos dois senadores da República”, registra a parlamentar.

E pondera: “Ainda é cedo para antecipar 2028. O PT ainda não abriu nenhum debate sobre isso. O fato é que, para construir unidade e fortalecer o PT, temos muitos nomes relevantes. Iremos debater com responsabilidade”. A vitória de Dani, nome mais votado da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), tem sido apontada como um dos trunfos da legenda, assim como o resultado que a sigla atingiu na Câmara Federal. Outra fonte analisa: “Digamos que, com a movimentação de Victor, o desejo só se fortalece”. Na sequência, arremata: “Para muitos, foi a última vez que o PT se sacrificou aqui no Estado. Esse é o sentimento atual”.

O recado

“Qual o recado que as urnas deram para nós?”, questiona uma liderança do PT à coluna, fazendo referência ao protagonismo conferido ao partido pelo eleitorado este ano. Petistas têm repisado que “o PT sempre foi um grande aliado do PSB”. E, embora prevaleça o entendimento de que “a conjuntura lá na frente é o que define”, uma chave teria virado no sentimento da sigla hoje. No bojo dessa mudança de temperatura, além de Dani Portela e João Paulo, nomes já ventilados para 2028, o senador Humberto Costa também passa a ser citado como alternativa nos bastidores em sinal de que o assunto ganha eco.

Silêncio

Após o resultado desfavorável da corrida presidencial e a evasão de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, em Pernambuco, no PL, partido do senador, um silêncio sobre o assunto pareceu estridente. Correligionários de Flávio no Estado, em sua grande maioria, não se manifestaram especificamente sobre a saída do parlamentar do País, preferindo silenciar. Presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, na quinta-feira (29), disse que “ninguém aprovou a carta” na qual Flávio, inicialmente, se referiu a si mesmo como "verdadeiro presidente eleito" do Brasil, alegando que houve fraude na votação. Posteriormente, ele editou, se declarando "líder" do País.

Coro pró-Alckmin

Com Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, e Geraldo Alckmin, cotados para o Ministério da Fazenda, a deputada federal reeleita, Tabata Amaral, defende o nome do socialista. Em entrevista ao Estadão, advogou que ele tem uma visão que “concilia o social e o fiscal”. “O mais óbvio é o nosso vice-presidente Geraldo Alckmin. Quatro vezes governador de São Paulo, só o homem que fez. E, nesse momento que a gente tem esse desafio de conciliar responsabilidade fiscal com responsabilidade social, ele é o maior líder do nosso partido. E acho que ele tem muito a contribuir nesse governo, até mais do que pode contribuir no último”, enfatiza a parlamentar.

Projeto de País

Tabata engrossa o coro: “Vide que ele foi muito importante na questão da negociação das tarifas do Trump. Ajudou muito, especialmente o nosso estado e nosso interior”. Ela argumenta: “É uma decisão do presidente Lula. Não é porque a gente está interessado em lotear o governo. É porque a gente tem projeto de País, porque sei que Alckmin tem visão que concilia o social e o fiscal”.

Mais de Diario Político

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas