Petrolina e Juazeiro no radar de Lula neste 2º turno
Contemplar Pernambuco e Bahia no mesmo dia é uma hipótese "em construção", segundo aliados do presidente da República e candidato à reeleição. A data cogitada é dia 20
Publicado: 16/10/2026 às 05:13
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passou por Pernambuco no último dia 25 de setembro, pode retornar ao Estado ainda neste 2º turno (Paulo Pinto/Agência Brasil)
Na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a possibilidade de ele voltar a Pernambuco, neste segundo turno, está no radar. Nos bastidores, se estuda uma agenda casada que contemplaria Petrolina e Juazeiro, na Bahia. Fala-se em dia 20 como data possível. Líder do governo no Senado, Teresa Leitão, à coluna, pontua que essa é uma hipótese “em construção”, sem confirmação de agenda ainda.
O roteiro tem sido ventilado também por pessoas próximas ao senador Camilo Santana, que, agora, integra a coordenação da campanha de Lula. Um retorno do petista ao estado em que ele nasceu é cogitado no momento em que pesquisas indicam empate técnico entre ele e o presidenciável Flávio Bolsonaro. Pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (15), apontou o candidato do PL com 47% das intenções de voto (tinha 49%) e o líder-mor do PT, com 45% (tinha 45%) nos votos totais. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Um dia antes, pesquisa Quaest mostrou Flávio com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula - com margem de erro também de dois pontos percentuais. Aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aguardavam que essas últimas amostras confirmassem vantagem mais representativa e argumentam, nos bastidores, que “não há eleição ganha”.
No conjunto de Lula, se joga para reverter o cenário. “Eu não brigo com pesquisas. Elas estão indicando empate técnico e a candidatura de Lula apresenta tendência de crescimento”, pontua a senadora Teresa Leitão. Também havia expectativa de que Flávio passasse por Pernambuco neste 2º turno. Mendonça Filho, coordenador da campanha do presidenciável no Estado, ainda aguardava posição nacional sobre isso, mas já havia sinalizado que, a poucos dias do pleito, a agenda do senador andava apertada.
O prefeito de Petrolina, Simão Durando, integra o grupo dos Coelho e já declarou apoio a Flávio. O gestor esteve em Brasília para reunião do União Brasil com o candidato do PL logo após o primeiro turno e destacou, em publicação no seu Instagram, seu apoio ao candidato da direita. Entre aliados do presidente Lula, não haver palanque oficial na cidade para ele não é algo visto como empecilho.
O presidente da República cumpriu agenda no Recife, no 1° turno, no último dia 25 de setembro. Subiu no palanque de João Campos, que concorria ao Governo do Estado com Humberto Costa e Marilia Arraes disputando vagas no Senado em sua chapa. O petista foi reeleito e a pedetista eleita senadora. O socialista perdeu para Raquel Lyra, que, reeleita governadora do Estado, sinalizou neutralidade na disputa presidencial.
Com Camilo
Líder do PT no Senado, Camilo Santana, ao ser indagado, evitara verbalizar ter o apoio de Lula à emenda que apresentou para reduzir a maioridade penal no caso de crimes hediondos, a ser incluída na PEC da Segurança. Mas, nesta quinta-feira (15), em entrevista à TV Globo, o próprio presidente da República se declarou favorável à redução para 16 anos. No entanto, apresentou um "porém": disse que o debate precisa ser feito, mas “não nessa PEC”.
Entrelinhas
Lula argumentou o seguinte: “Qual problema? É que a PEC não estava discutindo isso”. E pontuou: “O PL (o autor foi Rogério Marinho) apresentou emenda com redução para 14 anos. Camilo apresentou para 16. Sou favorável a 16, mas não nessa PEC. Acho que sociedade brasileira inteira é favorável à punição de qualquer crime hediondo”. A emenda de Camilo Santana gerou divergências no próprio PT. Líder do governo, a senadora Teresa Leitão, sobre o tema, foi suscinta: “Estamos vendo o que fazer”.
Pano de fundo
Sem acordo sobre a maioridade penal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retirou de pauta da sessão desta quinta-feira (15), a votação da PEC da Segurança. O debate do tema foi contaminado por uma disputa entre governistas e oposicionistas, cujo pano de fundo é a disputa pela Presidência da República entre Flávio Bolsonaro e Lula. Coordenador da campanha do candidato do PL, o senador Rogério Marinho apresentou emenda propondo reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 em determinados crimes. Um dos coordenadores da campanha de Lula, Camilo Santana propôs reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Lula prefere acelerar a tramitação, pretensão que seria prejudicada pela análise de emendas.
Clássico
No entorno de Flávio Bolsonaro, as apostas sobre a consolidação da liderança cederam lugar a um sinal amarelo aceso após as últimas pesquisas. Com números indicando diferença de dois pontos nas amostras recentes, aliados do senador admitem que isso pode conferir gás à campanha de Lula. Avaliam que diferença pouca, além de tornar desfecho imprevisível, pode gerar uma disputa em formato de "clássico"