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Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Viés regional

"Timing" pesa contra Caiado, dizem aliados

Integrantes do PSD realçam que o presidenciável ingressou na sigla "na reta final", dificultando a construção de palanques nos estados

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 19/08/2026 às 00:00

Na visão de correligionários, Ronaldo Caiado se filiou quando as costuras nos estados já estavam avançadas./Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Na visão de correligionários, Ronaldo Caiado se filiou quando as costuras nos estados já estavam avançadas. (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Nas hostes do PSD, partido da governadora Raquel Lyra, presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, não se lança qualquer dúvida sobre o perfil do presidenciável Ronaldo Caiado, cuja história, sublinham correligionários em conversas reservadas, “se deu integralmente no campo da direita”. Nem os membros do partido que votam em Lula consideram a hipótese de Caiado apoiar o petista.

Se governadores da sigla têm autonomia para darem palanque ao líder-mor do PT, isso se dá, argumentam aliados de Caiado, “porque ele entrou no partido na reta final”. Referem-se ao momento em que já se ultimavam as costuras rumo ao pleito deste ano. Pernambuco é um exemplo. Raquel Lyra já havia recebido carta branca de Gilberto Kassab para construir alianças que melhor dessem suporte ao seu projeto de reeleição. A governadora aposta num palanque duplo de Lula no Estado.

“Caiado entrou no partido na reta final e virou candidato na reta final”, sublinha uma fonte ligada à governadora. O ex-governador oficializou sua filiação em março deste ano. As construções se deram pelo viés regional. Na Bahia, o senador Otto Alencar é apontado, por exemplo, como uma das alianças mais sólidas com o presidente Lula.

Na condição de dirigente do PSD no Estado, já declarou voto no petista. O partido, lá, tem seis deputados federais e um senador. No Ceará, a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), é a candidata a vice na chapa do governador Elmano de Freitas (PT). Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) é candidato à reeleição com o apoio do PT e do presidente Lula.

Tais construções também miram a formação de bancadas. Nesta terça (18), Ronaldo Caiado voltou a negar um eventual apoio ao PT no 2º turno dessas eleições. “Sempre fui oposição ao Lula”, disse Caiado durante apresentação do Plano de Governo para a área da Saúde. “Tudo isso não ocorreria se você tivesse um candidato à presidência no momento em que essas costuras estavam ocorrendo”, justifica outra fonte do PSD. E arremata: “Se a direção resolvesse cobrar fidelidade, estourava o partido”.

Ponto de vista

A declaração de Ronaldo Caiado, nesta terça (18), se deu três dias após Gilberto Kassab, que é vice na chapa do presidenciável, afirmar que os partidos do centrão estão com Lula. Correligionários repisam o seguinte: “Kassab não vê o PSD como centrão. O que ele quis dizer foi que o centrão não foi para Flávio Bolsonaro, apesar das tentativas”. "Em estados onde a direita é hegemônica", diz um integrante da legenda, "o palanque estadual é de Caiado". E emenda: "Não lembro de um estado desses em que o PSD esteja com Flávio Bolsonaro”.

A explicar

O centrão está neutro na corrida presidencial, mas, no PSD, também se admite que houve ruído sobre isso envolvendo a declaração de Gilberto Kassab. “Há ruído e isso obriga Caiado a deixar claro sua posição”, adverte um parlamentar da sigla. Em política, vale a máxima de que tudo que se tem que explicar não é bom.

Mapa do mandato

O lançamento da plataforma digital na qual o senador Humberto Costa vai hospedar os resultados do seu mandato, espalhados em 184 municípios, que havia sido adiado na semana passada, será realizado nesta quarta-feira (19). O petista fará almoço com jornalistas com prestação de contas.

Dose de...

Em meio ao avanço do sarampo em São Paulo, onde foi identificado um surto localizado com 23 casos confirmados, a vacinação voltou ao centro do debate político após Eduardo Bolsonaro criticar a obrigatoriedade da imunização infantil — posição da qual até aliados, como Tarcísio de Freitas, se distanciaram publicamente. O próprio Flávio Bolsonaro declarou ser um "Bolsonaro vacinado". Em Pernambuco, o candidato a deputado federal Mauricio Rands (Avante) defende uma mobilização em favor da vacinação e do combate à desinformação.

...mobilização

“O Brasil tem uma história de confiança na vacinação e construiu um dos maiores programas públicos de imunização do mundo. Precisamos resgatar essa tradição e fazer um debate baseado na ciência e nas evidências”, afirmou Rands. A discussão ganha peso às vésperas do Dia D de vacinação contra o sarampo, marcado para o próximo sábado (22).

 

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