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Em 2022, Lula veio. Victor traça diferença

Presença do petista não garantiu vitória a Danilo. Prefeito, agora, vê "cristalização do campo" e palanque adversário "bolsonarista"

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 18/08/2026 às 00:00

Para o prefeito do Recife, Victor Marques, cenários são diferentes, sobretudo pela composição do palanque da governadora Raquel Lyra/Rafael Vieira/DP Foto

Para o prefeito do Recife, Victor Marques, cenários são diferentes, sobretudo pela composição do palanque da governadora Raquel Lyra (Rafael Vieira/DP Foto)

Era julho de 2022 quando Lula, então candidato ao Palácio do Planalto, subiu ao palco de ato político, em Garanhuns, já segurando a mão de Danilo Cabral, que concorria ao Palácio do Campo das Princesas pelo PSB. O líder-mor do PT defendeu o socialista como seu candidato a governador. Cumpriu agenda ainda em Serra Talhada, protagonizou outra no Teatro do Parque e almoçou na casa de Danilo.

A despeito das expectativas depositadas, a declaração de voto e a presença de Lula, naquela ocasião, não foram suficientes para garantir a vitória do PSB. Este ano, o ex-prefeito do Recife João Campos tem repisado a estratégia de apostar as fichas na aliança com o presidente e, embora ainda não haja data prevista para uma vinda de Lula ao Estado, ele tem sinalizado que o aliado virá.

O que garante que a presença de Lula, agora, possa ser mais efetiva do que foi ao lado de Danilo? Aliado de primeira hora de João, o prefeito do Recife, Victor Marques, à coluna, argumenta o seguinte: “O que eu vejo é que existe uma cristalização de campo político. Isso é bem diferente do que apenas a presença, a vinda do presidente Lula”.

Victor traduz: “Se você olhar para o palanque da governadora, é um palanque majoritariamente bolsonarista, conservador. O palanque de João, não. Então, existe uma cristalização de campo político, o que diferencia esta eleição de outras”.

Indagado sobre quais nomes da chapa adversária associa ao bolsonarismo, ele cita a candidata a vice, Priscila Krause, e prossegue: “Mendonça é do palanque dela (de Raquel Lyra), apesar de estar candidato a senador em outro partido”. A governadora recentemente declarou que Mendonça não é seu candidato. Ele explica: “Alguém que foi aliado todo tempo, é por isso que eu digo da cristalização de quem está com quem”.

Então, detalha: “É muito nítido a presença de Mendonça durante esse processo inteiro, além de outros personagens bolsonaristas, que estão próximos e que estão participando da campanha dela. O Novo está apoiando a candidatura dela formalmente, Eduardo Moura, Clarissa Tércio...Isso é inegável”, assinala o prefeito, sinalizando o tom que deve permear a campanha do PSB, indo de encontro à estratégia da governadora de apostar num palanque duplo de Lula no Estado.

Lá e Lô

Na mesma linha de João Campos, Victor Marques acredita que a presença de Lula “fortalece essa identificação”. Pondera que não quer ficar entrando em debate sobre o palanque da adversária. “O que eu estou falando é que o futuro de Pernambuco passa por uma grande oportunidade que a gente pode ter, de João governador e Lula presidente. Pernambuco tem uma potência muito grande. A gente viu Pernambuco ficando pra trás, nos últimos anos, de outros estados, como Bahia, Ceará até Paraíba, que cresceram muito mais do que Pernambuco”, destaca.

Alinhados

Ainda ontem, o presidente Lula apareceu, em vídeo na rede social, pedindo voto para João Campos e para a chapa completa, mas ainda destacou a importância do alinhamento político entre os governos federal, estadual e a bancada no Senado. Argumentou que é importante para ampliar a capacidade do Governo Federal de realizar investimentos em Pernambuco.

Subiu no palanque

Aliados do candidato ao Senado Mendonça Filho já vinham analisando que, se Raquel Lyra não o colocou oficialmente em seu palanque, o deputado, na prática, “subiu no palanque dela” ao adotar o discurso de “Raquel Lyra Futebol Clube”. Nem precisou de muito tempo para que isso se consumasse literalmente. No último domingo (16), primeiro dia de campanha, Mendonça e Raquel dividiram o mesmo palco em ato promovido pela família Coelho em Petrolina.

Casadinhas

Com a coluna cantara a pedra, o prefeito de Ipojuca, Carlos Santana, declarou, nesta segunda-feira (17), apoio à candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado. Aliados anotavam que as conversas finais ocorreram no final da semana passada. O gestor é do Republicanos, partido do candidato a vice de João Campos, Carlos Costa. O progressista também recebeu apoio do presidente da Alepe, Álvaro Porto, que apoia João Campos, mas rompeu com Marília Arraes.

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