Um ano do Massacre da Penha: HRW aponta possíveis execuções em megaoperação no Rio
Investigação denuncia que policiais malipularam câmeras corporais para promover chacina
Publicado: 28/10/2026 às 21:24
Parentes de pessoas mortas durante a "Operação Contenção" reagem durante uma manifestação que marca o primeiro aniversário da operação (Mauro Pimentel/AFP)
Policiais manipularam suas câmeras corporais e podem ter matado intencionalmente dezenas de pessoas na operação mais letal da história do país, que deixou 122 mortos há um ano no Rio de Janeiro, denuncia uma investigação da ONG Human Rights Watch divulgada nesta quarta-feira (28).
Imagens de dezenas de corpos alinhados e nus em uma favela carioca correram o mundo um dia após a incursão policial. O então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, descreveu a operação como um sucesso.
Após uma investigação de um ano, a HRW concluiu que a operação "parece ter sido concebida para ser letal". A ONG analisou mais de 4 mil horas de gravações de câmeras corporais, as autópsias de todas as vítimas e centenas de vídeos feitos por moradores. Também entrevistou dezenas de testemunhas, familiares e especialistas.
Segundo a investigação, nenhuma das mortes foi registrada pelas câmeras. Apenas um quarto dos 2.500 agentes mobilizados as usavam e muitos deles as cobriram, deixaram suas baterias descarregar ou as deixaram nas viaturas.
As autópsias apontam na mesma direção. Mais de 4 em cada 10 vítimas não policiais foram baleadas na cabeça e quase 3 em cada 4 levaram pelo menos um tiro nas costas. Um homem foi decapitado após ser baleado.
Peritos independentes consultados pela HRW avaliaram que muitas pessoas foram assassinadas intencionalmente. Houve 17 mortos para cada ferido, uma proporção que, segundo a ONG, levanta "sérios questionamentos" sobre uma possível priorização do uso de força letal pela polícia em detrimento de prisões.
As gravações também mostram agentes agredindo e ameaçando de morte pessoas detidas. "Práticas policiais abusivas prejudicam a segurança pública" e "alimentam um ciclo de violência que coloca em risco tanto os moradores quanto os policiais", ressaltou o diretor da HRW no Brasil, César Muñoz.
A ONG pediu às autoridades federais que garantam "uma investigação completa e independente" das decisões que levaram a uma operação tão letal, e que abram processos para determinar responsabilidades.
As forças de segurança matam mais de 6 mil pessoas por ano no país, segundo a HRW.
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