Assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura faz 61 anos neste domingo (25) de eleições
Jornalista e cineasta, Vladimir Herzog foi torturado e assassinado pela Ditadura Militar no dia 25 de outubro de 1975
Publicado: 23/10/2026 às 15:38
O jornalista Vladimir Herzog, assassinado aos 38 anos pela Ditadura Militar (Reprodução/Instituto Vladimir Herzog)
No próximo domingo (25), que será marcado pelo segundo turno da Eleição Geral Federal, completam-se 61 anos da morte do jornalista e cineasta Vladimir Herzog. No dia 25 de outubro de 1975, o então diretor da TV Cultura foi assassinado, aos 38 anos, nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo, após sofrer uma série de torturas praticadas por agentes do regime.
Com ampla repercussão internacional, o caso se tornou um dos mais emblemáticos exemplos das brutais violações de direitos humanos praticadas pelo Governo Militar contra civis. “Vlado”, como era conhecido, foi visto com vida pela última vez no dia 24 de outubro, quando foi convocado por agentes do II Exército para prestar depoimento sobre as ligações que mantinha com o Partido Comunista Brasileiro, obrigado pela ditadura a atuar na ilegalidade.
À época, segundo o Instituto Vladimir Herzog, ele era alvo de uma campanha contra sua gestão de jornalismo da TV Cultura, levada à Assembleia Legislativa de São Paulo pelos deputados Wadih Helu e José Maria Marin, integrantes da Arena, partido de sustentação do regime militar. Embora tenha comparecido voluntariamente ao DOI-CODI, Vladimir terminou preso no local, ao lado de outros dois jornalistas: George Duque Estrada e Rodolfo Konder.
Os dois testemunharam o depoimento de “Vlado”, que negou quaisquer relações com o PCB. Depois disso, foram encaminhados para um corredor, de onde escutaram a ordem que se trouxesse a máquina de choques elétricos. Para abafar o som da tortura, um rádio com som alto foi ligado e Vlado nunca mais foi visto com vida.
A versão oficial dos militares foi a de que Vladimir Herzog teria se enforcado com um cinto e uma foto de “Vlado” morto na cela chegou a ser divulgada. Na imagem, ele aparece pendurado pelo pescoço à meia altura, com os joelhos flexionados. Posteriormente, o autor do registro, Silvaldo Leung Vieira confessou a “farsa do suicídio” e que a cena foi montada pelos militares.
Repercussão
Uma semana após o assassinato, mais de 8 mil pessoas participaram de um culto ecumênico na Catedral da Sé, em São Paulo, concelebrado pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo reverendo James Wright. O fato mobilizou tanto setores da oposição, quanto o empresariado paulista. Também foram registradas diversas manifestações populares, sobretudo de estudantes, cobrando justiça pelo assassinato.
Em janeiro de 1976, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo encaminhou à Justiça Militar o manifesto “Em nome da verdade”, subscrito por 1.004 jornalistas. A despeito do forte contexto de repressão e censura, aquela era a primeira vez em que a versão oficial de suicídio era contestada.
Em 1978, a Justiça brasileira, em sentença proferida pelo juiz Márcio José de Moraes, condenou a União pela prisão ilegal, tortura e morte de Vladimir Herzog. Em 1996, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos reconheceu oficialmente seu assassinato. Na ocasião, uma indenização também foi concedida à sua família, que não a aceitou, por defender que o Estado brasileiro ainda precisava investigar o caso.
Apesar disso, o atestado de óbito de Vladimir Herzog só foi retificado pela Justiça de São Paulo no dia 24 de setembro de 2012, após solicitação da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Na nova certidão, consta que a morte de Herzog "decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército – SP (DOI-Codi)".