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TRAGÉDIA EM 2024

PF conclui investigação sobre queda de avião da Voepass, aponta omissão e indicia 16 pessoas

Relatório final produzido pela Polícia Federal (PF) apontou "omissão de falhas técnicas" relacionadas à aeronave da Voepass que caiu em 9 de agosto de 2024 em São Paulo e deixou 62 mortos

Nicolle Gomes

Publicado: 06/08/2026 às 17:38

No documento, a PF afirma que a falha técnica que causou a queda do voo 2283 não foi um

No documento, a PF afirma que a falha técnica que causou a queda do voo 2283 não foi um "evento isolado" (Foto: Secretária de Segurança de São Paulo/Divulgação)

A Polícia Federal (PF) finalizou a investigação sobre a queda do avião da Voepass, que deixou 62 mortos em agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O relatório, ao qual o Diario de Pernambuco teve acesso, apontou omissão e negligência por parte da operadora aérea. Ao todo, 16 pessoas, entre funcionários e ex-colaboradores, foram indiciadas.

No documento, a PF afirma que a falha técnica que causou a queda do voo 2283 não foi um “evento isolado”, mas sim o resultado de repetidas “condutas de omissão” na manutenção dos sistemas de degelo.

Isso seria potencializado por uma cultura de gestão da companhia em focar na disponibilidade da frota, em vez de priorizar as condições de segurança.

Ainda segundo a PF, a Voepass omitia relatórios de panes para burlar fiscalizações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e manter a operação da empresa sem a paralisação das aeronaves.

Indiciados

Os 16 alvos do inquérito foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, com as qualificadoras de desastre e resultado morte. Segundo a PF, a cadeia de omissão se estendeu pelas equipes técnicas e operacionais da empresa.

Os principais executivos da companhia - incluindo o diretor-presidente José Luiz Felício Filho, o diretor de operações Marcel Sarquis Moura, o diretor de manutenção Carlos Alberto Costa, o diretor técnico Eric Consoli e o diretor de segurança operacional David da Costa Faria Neto - foram indiciados por atuar incentivando e perpetuando a cultura organizacional negligente com a segurança.

Além deles, foram responsabilizados Tiago Passucci Morani (gerente de engenharia e inspetor-chefe), Juliano Flores Pacheco (gerente do Centro de Controle de Manutenção) e Rafael Gimenez Rodrigues (piloto-chefe e responsável pelo programa de monitoramento de dados de voo), apontados por negligenciarem as rotinas de manutenção preventiva e ignorarem alertas recorrentes do sistema antigelo.

A investigação concluiu que esses setores toleravam o descumprimento de protocolos essenciais para evitar que as aeronaves tivessem que permanecer em solo.

A responsabilidade logístico-operacional e de liberação em solo foi distribuída entre o Centro de Controle Operacional e os mecânicos. Foram indiciados William Schmidt Agatz (gerente do CCO) e Raphael Limongi de Figueiredo (chefe do CCO), além do mecânico Alex de Souza Leandro, responsável pelo check diário e pela liberação final da aeronave antes do voo.

Também foram enquadrados os Despachantes Operacionais de Voo (DOV) Oderlino de Campos Figueiredo, John Major Viana e Marcos Hiroyuki Sato, por liberarem os planos de voo e despacharem a aeronave para operar em trajetos com previsão de grande acúmulo de gelo, mesmo com o sistema de degelo apresentando funcionamento irregular.

Por fim, o inquérito atribuiu responsabilidade aos pilotos que conduziram o avião anteriormente no dia do acidente: Edson Serra Martins e Luciano Alves de Macedo.

Eles foram indiciados porque, ao enfrentarem travamentos no sistema pneumático de degelo durante seus voos, realizaram procedimentos manuais para normalizar o painel, mas não registraram as panes no Diário de Bordo, o que, segundo a PF, impediu que as equipes de manutenção realizassem reparos antes que a aeronave entrasse na zona de gelo severo durante a viagem final.


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