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CRIME ORGANIZADO

Mapa do PCC e CV no Brasil: quem são e como atuam os chefes das facções

Relatórios da polícia mostram líderes do PCC e CV espalhados por estados, fronteiras e presídios federais

Thamires Pinheiro - Correio Braziliense

Publicado: 29/05/2026 às 15:51

Marcola, líder máximo do PCC, permanece no topo da lista e continua sendo apontado como a principal figura da facção, mesmo preso em regime de segurança máxima/crédito: Jose Varella/CB/D.A Press

Marcola, líder máximo do PCC, permanece no topo da lista e continua sendo apontado como a principal figura da facção, mesmo preso em regime de segurança máxima (crédito: Jose Varella/CB/D.A Press)

O PCC deixou há muito tempo de ser apenas uma facção ligada aos presídios paulistas. Hoje, investigações da Polícia Civil de São Paulo, do Ministério Público e da Polícia Federal apontam que a organização criminosa opera como uma rede nacional dividida em setores estratégicos, com líderes responsáveis por finanças, comunicação, tráfico internacional e expansão regional.

Nesta quinta-feira (28/5), os Estados Unidos classificaram o PCC como organização terrorista estrangeira. Em paralelo, um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil paulista aponta cerca de 100 nomes ligados à facção, incluindo chefes regionais, operadores financeiros, integrantes da cúpula e ex-líderes expulsos após um racha interno. A lista também inclui o Comando Vermelho (CV).

Mapa de poder
No topo da organização do PCC continua Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Preso na Penitenciária Federal de Brasília desde 2019 e condenado a mais de 300 anos de prisão, ele ainda é apontado como o principal nome da facção. Mesmo isolado em presídios de segurança máxima, investigadores afirmam que Marcola continua influenciando decisões sobre rotas internacionais de cocaína, reorganização interna e articulações do grupo em diferentes estados.

Abaixo da chamada Sintonia Final, considerada o núcleo máximo de comando da facção, aparecem lideranças distribuídas em diferentes áreas.

Uma delas é Gratuliano de Souza Lira, conhecido como Quadrado. Segundo os investigadores, ele chefia a Sintonia do Raio-X, setor encarregado de monitorar as finanças do PCC, investigar desvios de dinheiro e acompanhar esquemas de lavagem financeira.

Outro núcleo que ganhou força nos últimos anos foi o da comunicação digital. André Luiz de Souza e Eduardo Fernandes Dias, conhecidos como Andrezinho e Destino, são apontados como integrantes da Sintonia da Internet e Redes Sociais. Segundo os relatórios policiais, a divisão atua na proteção das comunicações internas da facção, monitoramento de integrantes e uso de aplicativos criptografados.

Baixada Santista
Na Baixada Santista, considerada estratégica por causa do Porto de Santos, o PCC mantém um dos seus principais corredores internacionais. Investigações apontam que a facção utiliza a região como rota para envio de cocaína à Europa, principalmente por meio de contêineres contaminados. Entre os nomes identificados está Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão, apontado como liderança da chamada 'Sintonia Final da Baixada'. Também figuram Mohamad Hussein Murad, o Primo, e José Carlos Gonçalves, o Alemão, investigados por participação em esquemas de lavagem de dinheiro e articulações financeiras da facção

Fronteiras Sul
Já em estados de fronteira como Paraná e Mato Grosso do Sul, a polícia identifica lideranças ligadas ao tráfico internacional de armas e drogas. Entre elas está Gerson Palermo, considerado um dos maiores traficantes da América do Sul, que foi preso na Bolívia após permanecer seis anos foragido. A proximidade com Paraguai e Bolívia transformou essas regiões em áreas fundamentais para o abastecimento da facção.

Norte em disputa
No Norte do país, especialmente em Amazonas e Rondônia, o PCC ampliou sua atuação em disputas violentas contra grupos rivais pelo controle de rotas fluviais e fronteiras internacionais. Relatórios citam a presença de chefes regionais da facção e mencionam figuras como Gelson Carnaúba, o Mano G, e João Pinto Carioca, o João Branco, ligados à Família do Norte, que se tornaram alvos principais na guerra por território e fortaleceram a expansão da organização fora do eixo paulista.

Nordeste em expansão
No Nordeste, a facção avançou por meio de alianças com grupos locais em estados como Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte. Entre os nomes identificados estão Francisco José de Souza, o Chiquinho, e Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue (morto em 2018 em uma emboscada no Ceará), no Ceará; Valdemir Pereira da Silva, o Colorido, na Bahia; e José Carlos da Silva, o Zé Carlos, no Rio Grande do Norte. Em algumas regiões, os acordos terminaram em confrontos internos e disputas por pontos de tráfico

Antiga cúpula
Entre os nomes históricos ligados à facção aparece Roberto Soriano, o Tiriça, que cumpre pena na Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Condenado a mais de 70 anos de prisão, tornou-se um dos principais rivais internos de Marcola após o racha no PCC.

Ao lado de Tiriça aparecem Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho. Os dois já fizeram parte da elite da facção e hoje são tratados em investigações como integrantes rompidos com a atual liderança. Segundo relatórios policiais, eles foram expulsos do PCC e passaram a integrar a lista de “decretados”, nome dado pela facção a integrantes jurados de morte. Daniel Vinicius Canônico, o Cego, completa a lista de lideranças expulsas identificadas no novo organograma da facção.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, segue apontado como um dos principais aliados internacionais de Marcola. Ele é tratado pelas autoridades como peça importante no tráfico global de cocaína e nas conexões da facção fora do Brasil.

Os relatórios mais recentes mostram que o PCC mantém divisões chamadas de sintonias, como a Restrita, dos Gravatas, do Progresso, Final dos Estados e Países e Final da Baixada. Cada uma funciona como uma diretoria, cuidando de áreas específicas da facção.

Hoje, o PCC atua como uma organização nacional, presente em praticamente todo o Brasil. Parte das lideranças está presa em penitenciárias federais de Rondônia, Paraná, Mato Grosso do Sul e Brasília, enquanto outros seguem foragidos ou atuando fora do sistema prisional.

Comando Vermelho
Assim como o PCC, o Comando Vermelho também foi classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira. Fundado no Rio de Janeiro nos anos 1970, o CV mantém forte presença nas comunidades cariocas e em rotas internacionais de tráfico de drogas. A facção atua principalmente no controle de favelas e na articulação com cartéis estrangeiros, disputando espaço com o PCC em estados do Norte e Nordeste.

Entre as principais lideranças identificadas estão Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, considerado um dos nomes históricos da facção e preso em regime federal desde 2002, além de Marcinho VP (Márcio dos Santos Nepomuceno), que também cumpre pena em presídio federal. Ambos seguem apontados como referências simbólicas do grupo, mesmo atrás das grades, enquanto outros líderes regionais mantêm a operação ativa em diferentes estados.

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