"Clã Bolsonaro pensa mais em si do que no país", diz Alckmin
Para o vice-presidente, Flávio Bolsonaro pediu aos EUA a classificação de terroristas para o PCC e CV "para sair desse tema do Banco Master"
Ândrea Malcher - Correio Braziliense
Publicado: 29/05/2026 às 13:53
Alckmin avaliou negativamente a medida dos EUA, apontando que além de provavelmente ser ineficaz no combate ao crime, poderá ter impactos econômicos negativos (crédito: Cadu Gomes/VPR)
O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou, nesta sexta-feira (29/5), que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para se desvencilhar do envolvimento com o Caso Banco Master. Segundo ele, o ex-presidente e sua família "pensam mais em si do que no país”.
“O que eu lamento nesse episódio é que infelizmente membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Então, para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando factoides, fatos novos para desviar a atenção da questão do Banco Master, que é gravíssima do ponto de vista de corrupção e de sonegação. Pensam mais em si do que no país”, opinou ele.
Os EUA classificaram nesta quinta-feira (28) o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão busca enfraquecer o financiamento de redes criminosas, bem como ampliar instrumentos de bloqueio de recursos, segundo a Casa Branca.
O senador e pré-candidato à Presidência foi ao encontro de Trump e, em suas redes sociais, agradeceu ao secretário de Estado, Marco Rubio. Flávio afirmou que pediu pessoalmente pela classificação do PCC e CV como organizações terroristas.
O governo norte-americano chegou a solicitar a mudança na classificação, mas o Brasil negou, embasando que a Lei Antiterrorismo, de 2016, tipifica terrorismo como atos praticados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, ou, ainda com o objetivo de provocar terror social, coagir autoridades ou atentar contra a ordem democrática.
Alckmin avaliou negativamente a medida, apontando que além de provavelmente ser ineficaz no combate ao crime, poderá ter impactos econômicos negativos. “Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia.”
“O combate ao crime organizado é feito por terra, mar e ar. O Congresso acabou de aprovar a Lei Antifacção, novos crimes foram listados, aumento das penas ao crime organizado e dificuldade da progressão penitenciária, da progressão de pena”, disse.
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