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DECISÃO

Anvisa mantém veto a produtos da Ypê após nova análise do caso

Mesmo com a manutenção das medidas, a Anvisa flexibilizou o procedimento de recolhimento dos itens que já foram vendidos

Diario de Pernambuco

Publicado: 15/05/2026 às 11:42

Produtos Ypê sofreram determinação da Anvisa/Divulgação/YPÊ

Produtos Ypê sofreram determinação da Anvisa (Divulgação/YPÊ)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter as restrições impostas aos produtos da Ypê fabricados na unidade de Amparo, no interior de São Paulo. Nesta sexta-feira (15), a diretoria da agência formou maioria para preservar o veto à fabricação, comercialização e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes cujos lotes terminam com o número 1.

Mesmo com a manutenção das medidas, a Anvisa flexibilizou o procedimento de recolhimento dos itens que já foram vendidos. A orientação é para que os produtos sejam guardados até que a Ypê apresente instruções sobre a retirada dos lotes do mercado. A empresa deverá encaminhar um plano de mitigação de riscos e executar um recolhimento escalonado.

Durante a sessão, o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que permanece a "inequívoca configuração de risco sanitário elevado, associado a falhas sistêmicas de boas práticas de fabricação" por parte da fabricante.

Segundo Safatle, inspeções realizadas no fim de abril identificaram "deficiências estruturais e operacionais" na planta industrial, além de indícios de incapacidade da empresa em atender plenamente às normas regulatórias. Para ele, os elementos reunidos apontam para um “comprometimento sistêmico”, e não para “desvios pontuais”.

A análise desta sexta-feira tratou apenas da suspensão automática das restrições, mecanismo acionado após a apresentação de recurso administrativo pela empresa. O mérito do pedido apresentado pela Ypê ainda será discutido em uma próxima reunião da agência.

O presidente da Anvisa também destacou que a empresa já havia sido alvo de medidas regulatórias em 2008, 2024, 2025 e 2026, todas relacionadas a possíveis problemas no controle de qualidade de seus produtos.

"Não é a primeira vez que a Anvisa adota medidas contra a empresa. Demonstra que a agência atua de forma contínua e preventiva sempre que identifica possíveis riscos à saúde da população".

Ainda de acordo com Safatle, o contato com a bactéria Pseudomonas aeruginosa pode provocar infecções na pele, nos olhos e nos sistemas urinário e respiratório, "especialmente em pessoas mais vulneráveis".

A Anvisa informou também ter identificado mais de 140 lotes contaminados armazenados em estoque e apontou que os produtos afetados não teriam sido devidamente separados nem notificados pela companhia.

O órgão regulador já havia determinado, no último dia 7, o recolhimento de detergentes, desinfetantes e sabões líquidos para roupas fabricados em Amparo com numeração final 1 nos lotes. Na ocasião, a agência também ordenou a interrupção da produção na unidade industrial sob alegação de falhas no controle de qualidade.

A crise envolvendo a fabricante ganhou repercussão política nas redes sociais. A decisão da Anvisa passou a ser explorada por lideranças e apoiadores bolsonaristas, que divulgaram críticas à direção da agência e teorias sem comprovação relacionadas à medida.

Após recorrer administrativamente, a Ypê chegou a obter a suspensão temporária das restrições impostas pela agência. Ainda assim, a própria companhia decidiu interromper a produção na fábrica para realizar ajustes internos. As informações são da Folha de São Paulo.

Produtos da marca Ypê sofreram determinação da Anvisa nessa quinta-feira (7)
Produtos Ypê sofreram determinação da Anvisa nesta quinta (7)
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