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LUTO

Morre no Rio de Janeiro o jornalista pernambucano Raimundo Pereira

Nascido no município pernambucano de Exu, Pereira foi referência na imprensa durante a ditadura militar no Brasil

Diario de Pernambuco e Agência Brasil

Publicado: 04/05/2026 às 15:38

Pereira fez parte da equipe responsável por lançar a revista Veja e foi repórter da Realidade, Ciência Ilustrada, Isto É e do jornal Folha da Tarde. /Foto: Memorial da Resistência/Divulgação

Pereira fez parte da equipe responsável por lançar a revista Veja e foi repórter da Realidade, Ciência Ilustrada, Isto É e do jornal Folha da Tarde. (Foto: Memorial da Resistência/Divulgação)

O jornalismo brasileiro lamenta a morte de um dos seus grandes representantes. Morreu aos 85 anos, na manhã do último sábado (2), no Rio de Janeiro, o jornalista pernambucano Raimundo Rodrigues Pereira.

Natural de Exu, no Sertão, ele foi uma das vozes de resistência na imprensa durante a ditadura militar iniciada em 1964. O corpo foi cremado no bairro do Caju, na capital fluminense.

Ainda jovem, Pereira se destacou pela postura crítica diante do regime. À época estudante do quinto ano do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), foi expulso após se posicionar publicamente contra o governo por meio do jornal O Suplemento, produzido com outros alunos.

A atuação o colocou na mira dos órgãos de repressão. Depois da expulsão, foi preso pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP), onde permaneceu por uma semana. Em seguida, foi transferido para a Base Aérea de Guarujá, onde ficou detido por cerca de dois meses. O Deops, que funcionou por quase seis décadas, hoje abriga o Memorial da Resistência de São Paulo.

Após deixar a prisão e viver um período na clandestinidade, Raimundo Rodrigues Pereira retomou os estudos e ingressou na Universidade de São Paulo (USP), onde se formou em Física. Posteriormente, seguiu carreira no jornalismo profissional — caminho que, segundo ele próprio relatou em entrevista ao NPC, ocorreu “por acidente”.

Trajetória profissional

As primeiras experiências de Raimundo Pereira no jornalismo foram como redator de revistas técnicas, função bem remunerada que conseguiu por acaso, ao dar aulas de matemática ao diretor de uma delas.

Conforme menciona o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), Pereira fez parte da equipe responsável por lançar a revista Veja e foi repórter da Realidade, Ciência Ilustrada, Isto É e do jornal Folha da Tarde.

Em 1972, foi convidado para dirigir o Opinião, veículo importante da imprensa alternativa. Três anos depois, consolidava-se ainda mais, à frente do jornal Movimento, "cujo nome simbolizava a unidade dos movimentos sociais e políticos na luta contra a ditadura", destaca a entidade.

"Além de jornal, o Movimento foi um organizador coletivo. Assinar o Movimento, vender o Movimento, colaborar com o Movimento eram atos de ativismo político e rebeldia", acrescenta o sindicato, na mensagem que homenageia o profissional.

O Movimento fechou as portas em 1981, ano em que Pereira retornou à grande imprensa. Como esclarece a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o pernambucano o concebeu depois de romper com Fernando Gasparian, dono do jornal Opinião.

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