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"Não podemos deixar o forró desaparecer", diz Flávio José, que se apresenta ao lado de Santanna e Targino Gondim no Recife

Flávio José, Santanna e Targino Gondim se reúnem no espetáculo "Três Nordestinos", que celebra a tradição do forró no Teatro Guararapes, na próxima sexta-feira (6)

Por Allan Lopes

Flávio José, Santanna e Targino Gondim celebram a música nordestina em apresentação conjunta

Três origens, três estilos de tocar forró e um encontro memorável. Através do projeto inédito "Três Nordestinos”, Santanna, Flávio José e Targino Gondim se reúnem no palco do Teatro Guararapes, no Grande Recife na próxima sexta-feira (6), às 21h.

Embora apresentem referências distintas na condução do fole, os artistas convergem na salvaguarda do cancioneiro popular e prometem uma noite inteiramente dedicada à poesia e às heranças culturais do Nordeste. Os ingressos estão disponíveis a partir de R$ 95 no site Cecon Tickets.

Em junho, Flávio José abriu mão de se apresentar no São João da Bahia após recusar um acordo com o Ministério Público (MP-BA) em torno de seu cachê. O episódio reacendeu o debate sobre a desvalorização do forró tradicional. “Quem não se respeita não é respeitado”, resume Flávio, em entrevista ao Diario, ao justificar sua decisão.

Passados cinco meses do impasse, o cantor e sanfoneiro mostra que não recuou na luta em defesa do gênero. “O show é muito importante, porque sabemos que nosso período mais aquecido começa em abril e segue por maio, junho e julho. Depois, a agenda dá uma acalmada. Por isso, é importante continuar valorizando a nossa autêntica música nordestina”, diz.

Depois de lotar o Teatro Riachuelo, em Natal, “Três Nordestinos" chega por aqui para reafirmar que qualquer momento e qualquer cenário são apropriados para saudar as raízes do forró.

“Nossa missão é não deixar a música cair no esquecimento. Existe uma questão muito forte de memória afetiva. As pessoas dizem que tal música era cantada pelo avô, pelo pai, durante o churrasquinho de domingo. Quando vêm interagir com a gente, compartilham todas essas lembranças, energias e histórias. Graças a Deus, temos tido uma boa resposta do público”, celebra Flávio José.

Unidos pela mesma reverência à matriz tradicional do forró, os artistas funcionam, individualmente, como embaixadores de escolas distintas do gênero. Flávio, de Monteiro (PB), é referência do xote romântico e do forró pé de serra. Targino Gondim, de Salgueiro (PE), une a sanfona tradicional a influências contemporâneas.

Já Santanna, cearense de Juazeiro do Norte, mantém viva a relação entre o forró, a oralidade sertaneja e a poesia popular. “Acho muito interessante porque cada um tem sua história e sua carreira. Juntos, escolhemos um repertório que tem agradado muito ao público”, afirma o paraibano.

Nesse sentido, o espetáculo faz jus às tradições forrozeiras. A herança de Luiz Gonzaga é celebrada em clássicos como "Vida de Viajante" e "Xote dos Milagres".

Targino traz marcos de sua carreira, a exemplo de "Esperando na Janela" — que ganhou projeção nacional na voz de Gilberto Gil —, enquanto Santanna apresenta canções emblemáticas de sua trajetória, como "Até Mais Ver".

Trata-se, portanto, de uma trincheira de resistência e salvaguarda do forró de raiz. “Atualmente, é raro encontrar shows que valorizem essas músicas”, lamenta o músico paraibano.

A ideia do projeto nasceu de forma despretensiosa, logo após a gravação de um audiovisual em São Francisco. Ao fim do trabalho, Flávio José recordou o pedido especial de um senhor, feito reservadamente em Campina Grande, por um show em formato de teatro. A sugestão era criar um espaço confortável para os fãs que admiram os artistas, mas preferem fugir da agitação dos grandes palcos.

Na mesma hora, Santanna e Targino toparam a empreitada. “Estamos com uma expectativa muito boa, principalmente pela oportunidade de reunir um público de mais idade, que talvez não frequente tanto as grandes festas”, destaca.