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Exposição ‘As Cinco Peles’ é tema da Bienal Black Brazil Art, que ocupa o MAMAM e o Cais do Sertão

A partir deste sábado (7), o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), no Recife, recebe a programação presencial do projeto, que chega em dezembro também ao Cais do Sertão

Por André Guerra

Programação ocorre em dois eixos, no MAMAM e no Cais do Sertão

Dedicada à valorização e ao fortalecimento da produção artística negra e afrodiaspórica, a Bienal Black Brazil Art (BB) vem ocupando diferentes territórios e espaços culturais desde sua criação, em 2019. Chegando agora à sua quarta edição, a iniciativa estende sua programação até março de 2027, intensificando a importância de suas perspectivas e diálogos decoloniais por meio de um olhar fundamentalmente contemporâneo.

A partir deste sábado (7), o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), no Recife, recebe a programação presencial do BB com a mostra “As Cinco Peles”, que reúne 125 artistas do país. A exposição, tema central da Bienal Black nesta edição, chega também ao Cais do Sertão no dia 7 de dezembro. A relação completa de atividades pode ser conferida no site oficial da Bienal Black e nos canais da BB.

Inspirada na chamada Teoria das Cinco Peles do artista e arquiteto vienense Friedensreich Hundertwasser — que descreve as camadas que nos moldam: epiderme, vestuário, casa, meio social e o mundo/pele planetária — e reinterpretada a partir do pensamento de Nêgo Bispo, a mostra traz uma perspectiva decolonial e afrodiaspórica. “A Bienal subverteu essa teoria, que parte de um olhar eurocêntrico, e fez com que artistas que têm uma conexão com a diáspora pudessem repensar o seu lugar como artistas nesse contexto de pele”, comenta, em bate-papo com o Diario, a curadora Patrícia Brito.

Na programação do BB, também estão previstas oficinas, apresentações musicais, performances, vídeos e ainda a premiação. Outros locais da capital pernambucana também abrigarão essas atividades, todas gratuitas, como a Escola Técnica Estadual Alfredo Freyre, o Museu da Abolição e o Laberer UFPE.

“Esse é um momento muito particular para que as manifestações culturais de artistas, especialistas e pesquisadores reencontrem esses espaços de criação de comunidades diaspóricas. Recife é uma cidade muito plural e bem receptiva com relação ao que vem de fora também”, salienta a curadora.

Surgida em Porto Alegre, em um estado (Rio Grande do Sul) cuja narrativa dominante invisibilizou grande parte da população negra, a Bienal Black nasceu da contradição para demonstrar como a arte afrodiaspórica brasileira não possui endereço fixo e não só consegue, mas deve existir e resistir em qualquer lugar.