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Beth Carvalho é celebrada por sobrinha em shows no Recife: "Minha tia só morre se o samba morrer"

Sobrinha e afilhada de Beth Carvalho, Lu Carvalho apresenta no Recife o espetáculo "Beth 80", com músicas e memórias da Madrinha do Samba

Por Allan Lopes

Sobrinha e afilhada de Beth Carvalho, Lu Carvalho apresenta no Recife o espetáculo "Beth 80

Ela era engraçada, adorava uma piada e não se importava de ouvir a mesma história dez vezes. Gostava de estar perto da família, tinha suas manias e queria brincar até nos momentos mais difíceis. Essa era a saudosa Beth Carvalho que a sobrinha e afilhada Lu Carvalho viu de perto até a morte da cantora, em 2019.

Desde então, ela assumiu também a missão de preservar a memória e o legado da tia, como faz no espetáculo “Beth 80 – Pelo Olhar de Lu Carvalho – A Sobrinha da Madrinha”. As apresentações acontecem nesta terça-feira (6) e quarta-feira (7), às 19h30, na CAIXA Cultural Recife. Os ingressos custam a partir de R$ 15 e estão disponíveis na plataforma Sympla.

A partir das próprias lembranças, Lu reconstrói no palco diferentes capítulos da trajetória de Beth Carvalho. A homenagem celebra não apenas a artista consagrada como Madrinha do Samba, mas também a tia que levava a sobrinha para a praça, à praia e aos pagodes. “Ela é a madrinha de todo mundo, mas a sobrinha só tem eu. Então, é muito emocionante”, afirma a cantora e compositora, que é filha de Vânia Carvalho, em entrevista ao Diario.

Nesse sentido, em meio ao repertório que reúne sucessos absolutos na voz de Beth, como “Andança” (1968) e “Vou Festejar” (1978), a apresentação também abre espaço para uma retrospectiva da convivência entre tia e sobrinha.

Uma das lembranças que Lu Carvalho guarda com Beth aconteceu durante o longo período em que a veterana ficou internada, entre 2012 e 2013. Na época, o hospital acabou se tornando parte da rotina da família. Os enfermeiros já eram próximos e Lu chegou a gravar faixas de “O Samba Que Eu Sei”, seu disco de estreia, no local enquanto acompanhava a tia.

Mesmo naquele contexto, Beth mantinha o bom humor.“No meio da madrugada, batia o enfermeiro na porta, dava o remédio, e ela falava: ‘Será que você pode gravar um disco em paz nesse hospital?’”, recorda, aos risos.

A memória de Beth Carvalho segue sendo preservada por Lu, que também procura transmitir os seus valores. Um deles é a generosidade em dividir espaço com outros artistas e fortalecer a roda do samba. “Minha tia só morre se o samba morrer. E, como o samba não vai morrer nunca, é impossível”, assegura.

“Essa é uma coisa que a minha tia sempre fez questão: aumentar a roda. Para mim, isso é uma coisa para a vida. Sou muito parecida com ela, graças a Deus”, conclui a cantora.