Festival MIMO amplia programação gratuita com mostra de cinema e Fórum de Ideias em Olinda
O Festival MIMO Petrobras de Cinema já terá sessões nesta quinta-feira (24), no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. O espaço também recebe o Fórum de Ideias a partir desta sexta (25)
Entre esta sexta-feira (25) e domingo (27), o festival MIMO retorna a Olinda, cidade onde nasceu em 2004, para transformar mais uma vez o Sítio Histórico em território de música, cinema, pensamento, formação e cultura popular. Entre os destaques da sua 17ª edição estão o Festival MIMO Petrobras de Cinema e o Fórum de Ideias, que ampliam a programação para além dos palcos.
A programação cinematográfica começa já nesta quinta-feira (24), um dia antes da abertura oficial do festival, com duas sessões gratuitas no Teatro Fernando Santa Cruz, no Mercado Eufrásio Barbosa.
Às 19h, será exibido “Ninguém Pode Provar Nada”, documentário de Rodrigo Pinto sobre Ezequiel Neves, figura singular do rock brasileiro, jornalista, produtor musical, ator e agitador cultural que atravessou momentos decisivos da história da música no país e esteve ligado a nomes como Rita Lee, Barão Vermelho e Cazuza.
Para Rodrigo Pinto, retornar ao MIMO tem um significado especial. Seu primeiro filme, “Continuação”, sobre Lenine, também foi exibido pelo festival. “Pra mim é muito importante estar no Mimo. Porque o Mimo é descentralizado, fora do eixo, gratuito e surpreendente em sua programação. Meu primeiro filme, Continuação, sobre Lenine, também foi exibido no festival. Voltar é um sonho”, afirma o diretor.
Em “Ninguém Pode Provar Nada”, Pinto recupera a trajetória de Ezequiel Neves e sua atuação nos bastidores do rock brasileiro. Jornalista, produtor musical, ator e agitador cultural, Ezequiel esteve ligado às trajetórias de artistas e bandas como Rita Lee, Made in Brazil, Barão Vermelho e Cazuza, com quem escreveu “Exagerado”.
O diretor conta que fez o filme justamente pela dimensão provocadora do personagem. “Fiz Ninguém Pode Provar Nada porque Ezequiel Neves é um gênio da contracultura, um cara que, muito antes de a gente falar em pós-verdade, deep fake e fake news, já questionava o papel da imprensa, o papel do crítico musical. Por esta inteligência, acabou recrutado por alguns dos maiores artistas como produtor.”
Rodrigo destaca ainda a relação de Ezequiel com Cazuza. “O caso do Cazuza, o mais conhecido, é muito importante. Ele ajudou a transformar um filhinho de papai num artista consciente de seu tempo e de seus privilégios. Não à toa, Ezequiel foi o autor do famoso verso: ‘Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia’, do disco final de Cazuza, Burguesia.”
Às 21h, é a vez de "NOVA ‘78", de Aaron Brookner e Rodrigo Areias, que recupera imagens da lendária Nova Convention, realizada em Nova York em 1978 em torno do universo do escritor William S. Burroughs. Patti Smith, Laurie Anderson, Allen Ginsberg, Philip Glass, John Cage e Frank Zappa estão entre os artistas registrados pelo filme, que revisita um momento de intensa experimentação e aproximações entre música, literatura, performance e pensamento.
FÓRUM DE IDEIAS
O Fórum de Ideias segue a mesma disposição para colocar a música em diálogo com questões urgentes do presente. Nesta sexta (25), às 16h, a mesa “A Arte contra o Silêncio – Vozes, Racismo e Resistência” reúne a poeta, cantora e performer pernambucana Luna Vitrolira e a historiadora, documentarista e batuqueira-regente do Maracatu Nação Leão Coroado, Karen Aguiar, com mediação da jornalista e pesquisadora Chris Fuscaldo.
No domingo (27), às 14h, o tema é a própria memória da indústria musical brasileira. Em “Disco é Cultura – Os Anos 70 e a Era de Ouro do Vinil”, Claudio Jorge Oliveira e José Teles, também mediados por Chris Fuscaldo, percorrem a expansão do mercado de discos, os bastidores das gravadoras e as relações entre música, mercado, comportamento, política e cultura durante os anos 1970.
SHOWS
Cinema e pensamento se somam, assim, à vocação do MIMO para aproximar diferentes linguagens e públicos. A programação musical também atravessa gerações e territórios, com atrações como BaianaSystem, Alice Caymmi, Cida Moreira, DJ Reborn, Ferro Gaita, Tinariwen e Tiken Jah Fakoly.
Na Praça do Carmo, o festival apresenta ainda a estreia em Pernambuco de Nação Zumbi Sinfônico – 30 Anos de Afrociberdelia, concerto que celebra os 30 anos do álbum seminal da banda e o ano em que Chico Science completaria 60 anos. O espetáculo reúne a Nação Zumbi e uma orquestra especialmente formada com cerca de 40 músicos, sob regência de Henrique Albino e com arranjos do pernambucano Mateus Alves.
Com entrada gratuita, o MIMO reafirma em Olinda sua proposta de fazer do festival não apenas um lugar para ouvir música, mas também para ver, discutir, lembrar, questionar e produzir cultura.
SERVIÇO:
FESTIVAL MIMO PETROBRÁS DE CINEMA
Local: Teatro Fernando Santa Cruz – Mercado Eufrásio Barbosa
Olinda – Pernambuco
Entrada gratuita
24 de setembro | 19h
“Ninguém Pode Provar Nada”
Direção: Rodrigo Pinto
105 min | 2025 | Documentário | RJ
O documentário mergulha na trajetória de Ezequiel Neves, personagem singular da história do rock brasileiro. Jornalista, produtor musical, ator e agitador cultural, Ezequiel esteve ligado às trajetórias de artistas e bandas como Rita Lee, Made in Brazil, Barão Vermelho e Cazuza, com quem escreveu Exagerado. O filme recupera sua personalidade irreverente e transgressora por meio de entrevistas, arquivos e diferentes recursos narrativos.
24 de setembro | 21h
“NOVA ‘78”
Direção: Aaron Brookner e Rodrigo Areias
78 min | 2025 | Documentário | Portugal/UK
A partir de imagens registradas em 1978, NOVA ‘78 revisita a lendária Nova Convention, encontro realizado em Nova York em torno da obra e do universo do escritor William S. Burroughs. O material reúne artistas e nomes da contracultura e da vanguarda, entre eles Patti Smith, Laurie Anderson, Allen Ginsberg, Philip Glass, John Cage e Frank Zappa.
FÓRUM DE IDEIAS
Local: Teatro Fernando Santa Cruz – Mercado Eufrásio Barbosa
Olinda – Pernambuco
Entrada gratuita
25 de setembro | 16h
“A ARTE CONTRA O SILÊNCIO – VOZES, RACISMO E RESISTÊNCIA”
Mediação: Chris Fuscaldo
Participantes: Luna Vitrolira e Karen Aguiar
Uma conversa sobre o papel da música, da palavra e da cultura no enfrentamento ao racismo e sobre como artistas e criadores transformam suas vozes em instrumentos de resistência, afirmação, pertencimento e transformação.
27 de setembro | 14h
“DISCO É CULTURA – OS ANOS 70 E A ERA DE OURO DO VINIL”
Mediação: Chris Fuscaldo
Participantes: Claudio Jorge Oliveira e José Teles
A conversa percorre um dos períodos mais marcantes da indústria fonográfica brasileira: a era de ouro do vinil, a expansão do mercado de discos, os bastidores das gravadoras e a disputa entre multinacionais e empresas brasileiras.