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Em novo disco, pernambucana UANA expande fronteiras do pop e resgata suas raízes musicais

"É impossível dissociar o meu trabalho dessa fronteira do popular e tradicional", declara a artista em entrevista ao Diario; o álbum está disponível nas plataformas digitais a partir desta quinta (24)

Por André Guerra

Cantora e compositora está confirmada no lineup do 23º No Ar Coquetel Molotov, marcado para 28 de novembro de 2026

Intensificar sua proposta autoral e agregar novos estilos de maneira ainda mais ousada norteiam o novo trabalho de UANA, mas não resumem sua ambição. Segundo álbum de estúdio da cantora e compositora pernambucana, “ESTRELA”, disponível nas plataformas digitais a partir desta quinta-feira (24), surgiu da carta de mesmo nome do tarô, que, traduzido para este projeto, ganha um sentido bem mais concreto e perceptível. Aqui, reacende na artista a vontade de mesclar sua influência pop com um contato direto com suas muitas raízes.

Na prática, portanto, a estrela do título é menos um astro-guia externo e mais uma força interior, uma energia pulsante e incontrolável em busca de reafirmação identitária. Se em “Megalomania”, seu disco de estreia lançado em 2024, ela explorava um pop recifense em que brega-funk, afrobeat, trap e música eletrônica se misturavam, agora ela se vê com ainda mais liberdade estilística para relembrar o seu público de alguns de seus gostos mais pessoais.

“Tem pessoas que me conhecem desse lugar mais pop e não têm dimensão de toda a minha pesquisa de muitos anos voltada para projetos de cultura popular no estado. Isso me deu uma bagagem grande como artista, além do fato de eu ser uma brincante de carnaval que sai nas ruas de Olinda com meu bloco todos os anos”, destaca a cantora em entrevista ao Diario. “É impossível dissociar o meu trabalho dessa fronteira do popular e tradicional. Acho que as duas coisas não se apagam e que estamos mesmo no momento de discutir e debater o que é, de fato, a música pop. Não é uma questão de substituição, mas de agregar coisas novas e tornar tudo ainda mais rico”.

Presença confirmada na 23ª edição do festival No Ar Coquetel Molotov, marcado para acontecer no campus da Universidade Federal de Pernambuco no dia 28 de novembro, Uana apresenta essa variedade formal logo no começo de “ESTRELA”, trazendo referências melódicas do universo árabe e do Norte da África, como um portal para uma redescoberta. Ela salienta, durante a entrevista, que está ansiosa para compartilhar esse novo momento com a plateia, mas se sente acolhida por ela em todas as suas tentativas. “Posso dizer que, a essa altura, conheço bem o meu público, imagino que eles sabem o que esperar de mim, e por isso tenho convicção de que eles vão gostar muito do que estou trazendo agora. Ao mesmo tempo, sinto uma necessidade grande de surpreender. Gosto de compor e fico muito feliz com os resultados de cada faixa. Não procuro fazer apenas aquilo que eu acho que vai agradar. Precisa vir de dentro. Essa é a verdadeira estrela”, reforça.

Os singles “Delírio Favorito” e “Mil e uma Noite”, lançados ainda em 2025, foram apenas o começo do que viria a ganhar mais forma a partir deste ano, quando, depois do carnaval, o processo avançou. Foi neste mês, com o lançamento de “Fogo e Gasolina”, terceira faixa do álbum, que a conversa estabelecida entre as canções do álbum ficou mais evidente. Uana considera que o conceito da estrela é um fio condutor não humano e complexo que liga organicamente as 11 faixas do disco.

“Está um trabalho bem poético e tudo ficou bastante interligado, mesmo nas suas diferenças. Eu quis trazer, por exemplo, um forró bem particular meu aqui, até para mostrar para as pessoas que o forró também pode ser pop, como a gente está vendo com o sucesso todo de João Gomes”, menciona a artista. “Acho que, por ser um trabalho que vem de um lugar de mais amadurecimento, ‘Estrela’ me permitiu explorar essas distinções sem perder a diretriz que embasa todo o projeto”.

O reencontro de Uana com seu público é tão aguardado por ela quanto pelo grande número de pessoas que já reconhece essa influência da sua obra. Cantora de palco, mas que se desafia e se abre a propostas que são simultaneamente novas e basilares em seu arcabouço musical, ela celebra não apenas a estrela que brilha na sua voz como evoca novas constelações. “Tenho tanta coisa por fazer ainda. Depois desse trabalho, o público pode esperar colaborações que vão sair em breve e, certamente, teremos muita coisa de verão e de carnaval para dançar e cantar juntos”, garante.