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Cena CumpliCidades celebra Reginaldo Rossi em programação de dança que une Brasil, Colômbia e França

Em sua 19ª edição, o evento toma conta de três teatros do Recife celebrando o legado do Rei do Brega e apresentando 19 espetáculos de dança do Brasil

Por André Guerra

Os teatros de Santa Isabel, Apolo e Hermilo Borba Filho vão receber, a partir desta quinta (17) até o domingo (20), um encontro diverso de culturas e nacionalidades com a 19ª edição do Festival Cena CumpliCidades. Com 19 espetáculos de dança colocando o Recife, João Pessoa, Natal e Goiânia em um diálogo revigorante com Medellín (Colômbia) e Paris (França), o evento será emoldurado pela música e pelo universo de Reginaldo Rossi, que é o homenageado do evento e será celebrado com a montagem “Rossi”, da Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão (CDTAM), de Natal, com participação da Escola de Frevo do Recife.

A apresentação dedicada ao Rei do Brega acontecerá nesta quinta (17), às 20h, no Teatro de Santa Isabel, e é inspirada na atmosfera do artista a partir das lembranças sonoras e visuais do coreógrafo pernambucano Sérgio Galdino no bairro de Água Fria. Os ingressos custam a partir de R$ 30 (meia-entrada) e estão à venda no site Guichê Web.

“Celebrar Reginaldo Rossi é um presente. É valorizar a cultura pernambucana e esse brega tão significativo para o Brasil, para o nosso Nordeste. Fomos muito felizes na conexão com Sérgio Galdino. Sabemos que o Rei do Brega é um ícone, então para a companhia de dança foi grandioso desde o começo. Levar algo produzido aqui em Natal para o Recife, sendo um elemento tão basilar na iconografia da capital pernambucana, é uma honra”, afirma, em entrevista ao Diario, Wanie Rose, diretora da Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão.

Ela destaca que o espetáculo foi apresentado pela primeira vez na própria capital do Rio Grande do Norte e teve uma excelente repercussão. “Até hoje as pessoas me procuram para saber quando será a próxima sessão, o que se tornou, para os tantos profissionais envolvidos, um grande motivador para seguirmos com o projeto. Trazê-lo ao Cena CumpliCidades tem um peso enorme para nós”, acrescenta.

O imaginário de Rossi seguirá presente no encerramento, domingo (20), também no Santa Isabel, com a apresentação de “Garçom, Mais Uma Dose de Rossi”, da Cia Municipal de Dança de João Pessoa, que ambienta sua montagem em um bar do Recife dos anos 1980, entre copos e o som do saudoso cantor.

“Nossa curadoria acontece muito a partir de uma observação muito intensa. Reunimos todos os anos apresentações que trazem um respiro em relação à produção, notadamente em dança, mas também nas artes de modo geral”, salienta Arnaldo Siqueira, curador e diretor do festival. “Quando eu soube dessa montagem de Rossi, em Natal, fui imediatamente para lá e pude assistir ao próprio Recife lá. Quando descobri ‘Garçom’, em João Pessoa, percebi a riqueza de abrir com um e fechar com o outro”, explica.

Guiado por esse ponto de partida e de chegada, o evento priorizou em sua programação uma confluência de estilos que, no fundo, reforçam a multiplicidade contemporânea do brega. Muito mais do que um gênero de identidade nichada, argumenta a curadoria, ele se tornou uma maneira de abraçar a cultura pernambucana, conectando artistas e promovendo a identificação com todos os públicos.

“Nós vimos, por exemplo, o que aconteceu este ano com Pernambuco no Rock in Rio. O que Priscila Senna e João Gomes fizeram ali foi muito especial, sobretudo nesse sentido de explorar a música do nosso estado como um todo”, destaca Arnaldo.

PROGRAMAÇÃO INTERNACIONAL

A preocupação em integrar essa programação que reforça a identidade regional é mesclada ao desejo de expandir o conhecimento do público a outros olhares para o corpo e a dança. Assim, o Teatro Hermilo Borba Filho sediará a oficina “Puja y Quiebra”, dedicada a danças afro-colombianas, enquanto, no Teatro Apolo, será apresentado o espetáculo “Tu Devrais Venir Plus Souvent”, de Paris.

Na sexta (18), o Santa Isabel terá dois espetáculos que dividem a noite a partir das 20h. Destaca-se “Deitar a Vista, Ouvir o Tempo”, em que o recifense Jonas Alves investiga o movimento como condição poética. Em “Véu”, da Nalini Cia de Dança, de Goiânia (GO), inspirado pelo conceito filosófico do Véu de Maya, acompanha-se a jornada do ser habitando mundos imaginários. No sábado (19), no Teatro de Santa Isabel, às 19h, será encenado “Clarice, George e Nelson: Cumplicidades”, do Studio de Danças, do Recife, que homenageia Clarice Lispector, o artista George Barbosa e o compositor Nelson Ferreira.

No mesmo dia, às 17h, no Teatro Hermilo Borba Filho, o lançamento do livro “Carella - Tomo 1” recupera a passagem do escritor argentino Tulio Carella pelo Recife dos anos 1960. Moacir Japearson, autor da publicação, vai participar de debate com Susana Souto (UFAL), orientadora da tese, sob mediação de Carlos Carvalho.

PRÉ-ESTREIA E LANÇAMENTO

O evento trará, já nesta quarta-feira (16), um esquenta aberto ao público para o lançamento da Plataforma Dança UFPE, iniciativa que busca promover a circulação da produção artístico-acadêmica de professores e estudantes do curso de Licenciatura em Dança. A intenção é apresentar, através da plataforma, nove trabalhos, entre eles performances, pesquisas performativas, experimentações e experiências produzidas na universidade.

Serão três trabalhos por sessão, sempre às 17h, no Teatro Hermilo Borba Filho, com entrada gratuita. Na primeira noite, “Criação Coreográfica no Campo Expandido” (Cláudio Lacerda), "Mahakali: A Dança da Destruição do Ego" (Yohanna Aoi) e "Vivo-pisa-corta-morre" (Yasmin Lua e Giuliano Guilhermo).