Sator traz ao Recife exposição inspirada em formas geométricas da arquitetura modernista
Artista paulistano Sator apresenta 10 obras que exploram as relações entre linha, espaço, perspectiva e movimento em exposição gratuita na Galeria Maurício Redig, no Recife
Uma linha pode ser apenas um traço. Mas também pode criar profundidade, movimento e espaço. É a partir dessas possibilidades que nasce a exposição “Linhas de Fuga”, que desembarca na Galeria Maurício Redig, no Pina, Zona Sul do Recife, na próxima quarta-feira (9), às 19h.
Com entrada gratuita, a mostra reúne 10 obras do artista paulistano Sator, cuja pesquisa dialoga com os princípios do movimento concretista e tem como eixos a organização de formas geométricas e a pintura meticulosa. A visitação segue disponível até o dia 17 deste mês.
A escolha do título veio da curadora Beth da Matta e levou Sator a revisitar aspectos que já estavam presentes em sua pesquisa. A expressão dialoga com o interesse do artista pelo desenho, pela perspectiva e pela construção espacial, em que a linha assume papel fundamental.
Há, porém, outra dimensão que extrapola o que está sendo representado visualmente. “Para mim, a produção artística é uma espécie de linha de fuga da realidade. Não no sentido de ignorar o que acontece ao nosso redor, mas de criar um espaço de respiro diante dos problemas, das tensões e do excesso de estímulos do mundo contemporâneo”, explica Sator em entrevista ao Diario.
Inspirado na tradição geométrica brasileira, na arquitetura modernista e no design industrial, o artista investiga, por exemplo, como uma linha extremamente reta pode, por meio da composição, produzir uma sensação quase orgânica. Assim, suas obras deixam margem para que cada observador encontre seus próprios caminhos e interpretações.
“Quero que o olhar possa percorrer a obra, descobrir caminhos, perspectivas e profundidades. Que cada pessoa encontre ali uma possibilidade diferente de leitura e, de alguma forma, construa a sua própria linha de fuga”, afirma.
Antes mesmo de imaginar que levaria uma exposição ao Recife, Sator já tinha a cidade entre suas referências. O contato com o Manguebeat, ainda na juventude, despertou seu interesse pela cultura pernambucana e deixou marcas em sua formação artística.
“É um lugar de enorme potência criativa, onde tradição e vanguarda, cultura popular, música e arte convivem de uma forma muito particular. Essa capacidade de transformar referências tão distintas em uma linguagem própria sempre me fascinou e, de certa maneira, também se relaciona com aquilo que busco na minha produção”, enaltece o pintor.
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