Peça sobre 'jeitinho brasileiro' chega ao Recife e celebra 50 anos de carreira de Luiz Fernando Guimarães
Adaptação de texto escrito por Juca de Oliveira em 1979, a montagem tem direção do ator e diretor Pedro Neschling e chega ao Teatro Guararapes após temporada no Rio de Janeiro
Adaptando o texto escrito pelo saudoso Juca de Oliveira (1935-2026) para um Brasil que viu seu famoso “jeitinho” permanecer intacto em tantas dimensões, o espetáculo de comédia “Baixa Sociedade” vem se consolidando como um sucesso de público desde sua estreia, em janeiro deste ano. Agora, a montagem chega ao Teatro Guararapes para uma apresentação única neste sábado (5), às 20h, funcionando como uma comemoração dos 50 anos de carreira de Luiz Fernando Guimarães, um dos mais icônicos humoristas brasileiros. Os ingressos custam entre R$ 80 e R$ 340 e estão disponíveis no Cecon Tickets.
Hoje com 76 anos, o ator carioca, que marcou o imaginário nacional com programas clássicos do humor como “TV Pirata” e “Os Normais”, entre tantos outros sucessos, é dirigido no palco por Pedro Neschling e divide a cena com Paulo Mathias Jr., Débora Ozório e Bruna Trindade.
O texto, datado de 1979, estabelece conexões surpreendentes com o presente, como salienta o diretor em entrevista ao Diario. “Muita coisa no material original tem um DNA bem distinto da forma como a gente pensa e conversa hoje em dia, então foi um trabalho delicado o de trazer esse universo para a atualidade. Mas, como o tema é esse famoso jeitinho brasileiro de querer se dar bem a qualquer custo, acaba que bastante coisa reverbera e segue dialogando com o público”, explica Pedro.
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Na peça, o público acompanha Otávio, um homem desempregado e endividado que sonha em mudar de vida. Para conquistar seu lugar na almejada classe abastada, ele recorre a planos mirabolantes e arriscados. O casamento de seu filho é visto por ele como uma possível saída para suas dificuldades financeiras, mas suas estratégias de alpinismo social não correspondem aos anseios do próprio rapaz.
“O dia a dia é muito maluco. O que não falta é matéria-prima para que nós possamos encorpar esse projeto em cada lugar por que passamos. Isso é, para mim, uma das melhores coisas da comédia”, afirma Neschling, que vem ganhando cada vez mais reconhecimento como diretor de teatro desde “A Forma das Coisas” (2008), espetáculo em que dividiu a direção com Guilherme Leme. “Tenho certeza de que ‘Baixa Sociedade’ vai chegar ao Recife mais divertido do que nunca".
O ator Paulo Mathias Jr. declara ainda que o processo de condução permitiu que o elenco ficasse à vontade com o texto e possibilitou uma significativa fluência na abordagem dos temas discutidos. “Ficamos muito livres em cena. Acho que essa liberdade faz o público vir junto com a gente para a cena também, ou seja, é uma peça que promove uma identificação fortíssima por onde tem passado”, celebra. “Eu sou de 1983, então assisti a tudo que Luiz Fernando fez. Sou fã a ponto de, às vezes, assisti-lo de dentro da cena mesmo. Ele é incrivelmente natural e verdadeiro. O texto fica ainda mais crível na voz dele.”
Autor de comédias como “Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Saudável que a Nossa” e “Caixa Dois”, Juca de Oliveira faleceu em 21 de março de 2026, deixando um legado na dramaturgia que é reforçado pela equipe de “Baixa Sociedade”. Com a apresentação, o grupo deseja honrar sua memória e também celebrar o meio século de história que Luiz Fernando Guimarães construiu com seu trabalho — uma união de titãs do teatro que não acontece todo dia.