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Finalista do Jabuti, pernambucana Laís Araruna explora relação de paciente com a terapia em novo livro

Laís Araruna de Aquino traz à Livraria do Jardim, neste domingo (30), às 11h, o seu novo livro, 'As Sessões', construído como uma longa carta de um personagem que decide não retornar ao consultório da ex-terapeuta

Por André Guerra

A pernambucana Laís Araruna foi finalista do Prêmio Jabuti 2025 com livro de contos "Nós que Nos Amávamos Tanto"

Uma sequência cortante de parágrafos marca “As Sessões”, novo livro da autora pernambucana Laís Araruna de Aquino, que será lançado neste domingo (30), às 11h, na Livraria do Jardim, no bairro da Boa Vista. Romance epistolar construído como uma carta de L. para Z., sua ex-terapeuta, a obra será o centro da conversa aberta ao público que acontecerá na ocasião com a presença da autora e dos escritores Bernardo Brayner e Thiago Abercio.

De acordo com Laís, a primeira versão do texto foi escrita em aproximadamente 36 dias, com inúmeras revisões posteriores. "Comecei a escrever sem uma trama planejada. A escrita foi adquirindo autonomia e, enfim, os personagens surgiram ao redor dela", explica ela. "Escrevo à mão, com caneta e papel, então esse processo criativo está diretamente ligado ao meu modo de trabalhar. A materialidade da escrita interfere diretamente naquilo que estou escrevendo".

Descrito como descendente da obra de Kafka, em especial "Carta ao Pai", de 1919, "As Sessões" parte do princípio da personagem que sente uma necessidade intensa de falar, mesmo que tenha interrompido as sessões de terapia. Não há, no livro, exatamente uma troca de correspondências, já que apenas uma voz escreve.

A sensação de entrar intensamente no raciocínio de alguém marca a escrita afiada de Laís, que revela ainda, em entrevista ao Diario, estar com boa expectativa para o bate-papo deste domingo. "São dois colegas de que gosto muito e tenho certeza que a conversa vai ser ótima, tanto no tocante à literatura como sobre outros temas também. O público que eu pretendo atingir é totalmente abrangente, especialmente pessoas que gostam de ler sobre escrita, sobre o processo literário e sobre terapia, claro. Mas imagino que pessoas envolvidas no mundo da psicologia vão ter um apreço ainda maior".

A AUTORA

Começando sua trajetória de escritora pela poesia, Laís estreou com duas obras celebradas. "Juventude" levou o Prêmio Maraã de Poesia de 2017, enquanto "Nós Só Compreendemos Muito Depois" foi semifinalista do Prêmio Oceanos 2022. Em 2025, seu livro de contos "Nós que Nos Amávamos Tanto" foi finalista do Prêmio Jabuti.