Com participação de Geraldo Azevedo, Lucas Bezerra lança primeiro álbum e faz homenagem a Totonho
Com participação de Geraldo Azevedo e outros nomes da cena paraibana, Lucas Bezerra lança álbum inspirado na obra do cantor e compositor Totonho
O primeiro disco costuma ser uma espécie de cartão de visitas do artista. No caso de Lucas Bezerra, esse passo inicial vem acompanhado de uma homenagem a uma de suas principais referências, o cantor e compositor Totonho, em “Eu Mandei Meu Amor Pro Espaço”, já disponível nas plataformas digitais.
A conexão entre mestre e aprendiz se dá pelo apreço à palavra e à força da poesia. O que não impede Lucas, entretanto, de trilhar um caminho próprio e distante da sonoridade nordestina mais tradicional. Em vez disso, ele adota o silêncio e a delicadeza como elementos para traduzir o sentimento de solidão que conduz o trabalho.
Desde o EP “Trânsito” (2021), Lucas Bezerra se soma a uma geração que vem reinventando a música feita no Nordeste. Junto a uma legião de novos nomes — capitaneada por expoentes como Juliana Linhares, Amaro Freitas e Martins —, o músico rompe com os clichês e estereótipos do que costuma ser tratado como música regional.
“Penso que a música feita por artistas do Nordeste brasileiro continua dando uma contribuição fundamental para a música popular brasileira. É uma história que vem de longe. Todos nós temos consciência da nossa relação com essa história e também de uma certa responsabilidade com esse legado. Ao mesmo tempo, existe uma geração livre para fazer suas próprias criações”, afirma Lucas em entrevista ao Diario.
As semelhanças com Totonho já aparecem no endereço de origem: o sertão do Cariri. Este nasceu em Monteiro, no lado paraibano da região, enquanto o pupilo veio ao mundo no Crato, no cariri cearense. Em seguida, ambos deixaram o interior em direção a grandes centros como João Pessoa, São Paulo e Rio. Na capital fluminense, Totonho lançou seu primeiro álbum autoral, produzido por Carlos Eduardo Miranda, e ganhou projeção nacional à frente de Totonho e os Cabra.
O veterano segue influente, sobretudo após seu disco “Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato (2025)” faturar o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Quando estava na Paraíba, Lucas descobriu o cancioneiro do mestre e passou a enxergar novas possibilidades para a própria música. Em 2021, começou a reunir as ideias que dariam forma ao disco.
Com nove canções que traduzem a poética universal de Totonho e também revelam o olhar particular de Lucas Bezerra, “Eu Mandei Meu Amor Pro Espaço” levou cinco anos para ser concluído. O trabalho flui intencionalmente sem o compromisso de reproduzir a herança folclórica associada ao mestre paraibano, encontrando outras formas de dialogar com sua obra.
Todos os convidados, por exemplo, possuem alguma relação com o homenageado. Entre eles está Geraldo Azevedo, que participa da faixa “Rosa da Marquinha”. Ele teve Totonho como atração de abertura em shows nos anos 1980. “Ver Geraldo tão atento a cada detalhe, cuidando de cada sílaba e de cada parte da melodia, foi um dos maiores presentes para o disco”, celebra Lucas. Rita Benneditto, Zé Ibarra, Juliana Linhares e Ítallo França são alguns dos outros nomes presentes.
“Nhem Nhem Nhem” (2001), uma das canções mais conhecidas de Totonho, abre espaço para uma nova leitura no álbum, com a participação de cinco vozes da cena paraibana contemporânea: Chico Limeira, Elon, Nathalia Bellar, Nina Ferreira e Titá Moura. Cabe ressaltar, porém, que a seleção não obedece ao critério de popularidade.
As músicas se conectam por imagens e temas em comum, entre eles a solidão, apresentada sob diferentes perspectivas. “Fui ouvir novamente ‘Alucinação’, de Belchior, e me impressionou perceber como a solidão também está tão presente naquele universo”, comenta o artista.
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