De volta ao Recife, Du Moscovis e Patricya Travassos ressaltam o lado cômico do amor na peça "Duetos"
Espetáculo "Duetos" aposta na identificação do público com confusões amorosas protagonizadas por Eduardo Moscovis e Patricya Travassos
Relacionamentos amorosos nunca saem de moda na ficção. Talvez porque, por mais que as histórias sejam inventadas, muitas delas dizem algo sobre quem está assistindo e, de quebra, ainda rendem boas risadas. Ambientado neste universo caótico que é o amor contemporâneo, o premiado espetáculo “Duetos” provoca essa identificação com situações tão absurdas quanto familiares.
Em cena, quatro histórias são interpretadas pela dupla Eduardo Moscovis e Patricya Travassos, que levam a comédia ao Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, nesta sexta-feira (21) e sábado (22), às 20h, e domingo (23), às 18h. Ainda há ingressos disponíveis para as três sessões, a partir de R$ 75, que podem ser adquiridos no site do teatro.
“Duetos”, originalmente escrito pelo dramaturgo britânico Peter Quilter, já passou por mais de 20 países e foi traduzido para dez idiomas. Com direção de Ernesto Piccolo, a montagem brasileira, assim como as demais, teve liberdade para incorporar referências que fazem mais sentido à realidade local.
O espetáculo volta à capital pernambucana depois da passagem pelo Teatro do Parque, em 2024. “O público recifense é muito inteligente, participa da comédia, reage e ri. Essa troca é fundamental para o espetáculo”, diz Eduardo Moscovis em entrevista ao Diario. “Recife é uma cidade deliciosa. A gente passeia bastante, mata a saudade e come bem. É sempre muito bom”, celebra.
Em 2023, o ator carioca substituiu Marcelo Faria no elenco e iniciou, também, sua primeira parceria com Patricya Travassos. “Foi uma espécie de amor à primeira vista profissional”, brinca.
Juntos, os dois interpretam quatro mulheres e homens, não necessariamente casais, em diferentes situações amorosas: em “Encontro às Cegas”, um encontro marcado por aplicativo foge do esperado; em “Quase Casados”, uma funcionária alimenta a esperança de se casar com o chefe; em “Divórcio Amigável”, um casal tenta concluir a separação durante uma viagem à Espanha; e, em “Mais Uma Vez Noiva”, uma mulher às vésperas do terceiro casamento começa a questionar a própria decisão.
Na avaliação de Moscovis, a identificação da plateia com os episódios retratados é um dos fatores por trás da longevidade de “Duetos”. “São histórias sobre homens, mulheres e situações diferentes, mas que acabam sendo muito reconhecíveis. As pessoas se enxergam em uma situação, um personagem ou até porque conhece alguém parecido com aquela figura”, afirma.
A montagem foi indicada em categoria especial, ao Prêmio Prio de Humor, criado por Fábio Porchat, pelos figurinos de Claudio Tovar. Além disso, ganhou o selo de qualidade “O Teatro Me Representa”, com quatro indicações do crítico teatral Gilberto Bartholo nas categorias “Melhor Comédia”, “Direção”, “Atriz” e “Figurino”.
O gênero da comédia já colocou Eduardo Moscovis em alguns de seus personagens mais populares na televisão. Em “O Cravo e a Rosa” (2000), o ator viveu o fazendeiro Julião Petruchio, que protagonizou uma divertida guerra dos sexos com Catarina (Adriana Esteves).
Anos depois, em “Louco por Elas” (2012), interpretou Leonardo Henrique, o Léo, um homem completamente envolvido e fascinado pelo universo feminino que o cercava. “Duetos”, porém, marca sua primeira experiência com uma obra dedicada inteiramente à comédia no teatro , onde estreou em 1989, com “Os Doze Trabalhos de Hércules”, baseada na obra de Monteiro Lobato.
Com a experiência acumulada em trabalhos como “Vamp” (1991) e nas peças “A Partilha” e “Capital Estrangeiro”, Patricya Travassos divide com Moscovis a experiência de enfrentar, noite após noite, o desafio de fazer o público rir. “Estou ao lado de uma pessoa que tem todo o conhecimento e o domínio da comédia, além de um texto muito bom. O exercício tem sido ótimo”, diz o ator.
“A partir do momento em que conseguimos nos conectar com o público, o próprio texto se encarrega do resto. O desafio é manter o ritmo e estar atento ao que acontece no palco”, conclui.
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