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"Esse cara que me motivou a recomeçar", diz Lenine sobre o filho em show do novo álbum

Na véspera do Dia dos Pais, Lenine conta que o filho, Bruno Giorgi, foi o grande responsável por provocar seu retorno aos palcos

Por Raianne Romão e Allan Lopes

Lenine leva "EITA" aos palcos em show que reúne as faixas do novo trabalho e clássicos de sua carreira

"Para mim é um recomeço": é assim que Lenine define sua volta aos palcos com "EITA", seu álbum mais recente após oito anos em jejum. O cantor e compositor se apresentou neste sábado (8) no Teatro Guararapes, em Olinda, com a nova turnê, e foi ovacionado pelo público ao final da apresentação.

O show reuniu as 11 faixas do novo trabalho e clássicos de sua trajetória, como "Hoje eu Quero Sair Só", "Jack Soul Brasileiro" e "Paciência". O concerto encerrou a primeira fase da turnê, e o artista agora segue para a Argentina.

Parceria entre pai e filho fez com que Lenine voltasse aos palcos

Durante o show, Lenine confidenciou à plateia que o filho, Bruno Giorgi, foi o grande responsável por provocar seu retorno aos palcos. Na véspera do Dia dos Pais, o compositor afirmou que Bruno o fez abrir os olhos e enxergar que não poderia viver longe do público.

"Eu sou um felizardo, um sortudo por ter o núcleo familiar junto fazendo música comigo... e ter esse cara que me motivou a recomeçar", contou em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco após a apresentação.

O artista revelou ainda a emoção de dividir a cena com Bruno: "A verdade é que todo dia em que o vejo no palco comigo é meio que um Dia dos Pais para mim. Às vezes eu tenho que me concentrar muito para não me perder. A emoção é tamanha que basta uma fração de segundos... se eu pensar em outra coisa e não estiver focado, pergunto: 'Onde é que eu estou?'. Eu erro a letra... e isso já aconteceu algumas vezes", brincou.

Lenine destacou que o filho sempre esteve imerso em seu processo de criação. "Levei um tempo para me acostumar. Ele é meu produtor e trabalha comigo há 15 anos, desde quando lancei [o álbum] Chão. Ele era novinho e já era o produtor", recorda.

"EITA" simboliza um retorno de puro alívio

Moldado pelo clima hostil do mundo exterior, o álbum “Em Trânsito” (2018) se tornou o registro mais cinzento da carreira de Lenine. Para se recuperar desse desgaste, o músico pernambucano encontrou refúgio longe dos palcos e dos estúdios, dedicando-se ao cultivo de seu orquidário.

Nesse intervalo, seguiu ligado à música por meio de colaborações com outros artistas, mas viveu quase uma década sem lançar um disco de inéditas, até ser novamente seduzido pelo desejo de criar. O jejum foi interrompido com “EITA”, álbum lançado no ano passado como parte de um projeto audiovisual e que ganha sua experiência ao vivo neste ano.

O isolamento começou a ceder graças à intervenção de seu filho e produtor, Bruno Giorgi, que provocou o retorno do pai ao convívio criativo. Na sequência, Bruno resgatou o protótipo de “EITA”, que ambos haviam esboçado antes da pandemia. “Quando vi o material, gostei daquilo e foi um passo para as coisas adquirirem outras cores”, relembra. “Por isso, essa volta tem um sabor de recomeço”, completa Lenine.

Diante de tantas conotações possíveis para o título do projeto, este retorno simboliza um “eita” de puro alívio. “Desde o primeiro show, ficou muito claro para mim o quanto foi míope da minha parte achar que poderia viver sem isso”, diz Lenine.

No show, o repertório do disco divide espaço com mais de 20 canções que colocam em perspectiva o caminho percorrido desde a aclamação nacional de “Olho de Peixe” (1993) até este novo capítulo. “Ficou muito coesa a história que estamos contando no encadeamento dessas músicas”, afirma.