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Aprovado por Gilberto Gil, musical inspirado na canção ‘Domingo no Parque’ chega ao Recife

Espetáculo dirigido por Alexandre Reinecke, com direção musical de Bem Gil, terá apresentações neste sábado (8) e no domingo (9), às 18hm no Teatro Luiz Mendonça

Por André Guerra

Espetáculo começou a ser idealizado há cerca de 30 anos

Uma das canções mais importantes da carreira de Gilberto Gil, “Domingo no Parque” chega ao Recife em um formato diferente. Levado à linguagem cênica, o clássico da música brasileira teve aprovação do próprio compositor para sua transformação em um espetáculo que tem texto e direção musical do seu filho Bem Gil e texto de Alexandre Reinecke, também diretor geral. As duas apresentações serão neste sábado (8), às 20h, e no domingo (9), às 18h, no Teatro Luiz Mendonça.

Em 1967, “Domingo no Parque” fez história no III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record e é até hoje lembrada como um dos maiores marcos da Tropicália, reunindo vários elementos essenciais do movimento, como a mistura de ritmos internacionais e brasileiros, por meio do encontro entre o violão, a guitarra elétrica e o berimbau.

Adaptando a canção e visando ampliar seus significados para reforçar a profunda influência negra na formação da sociedade brasileira, o espetáculo musical é uma forma de abarcar danças, costumes, religiosidades, alimentação, vestes e outros componentes essenciais da nossa cultura. A trilha traz 20 faixas que conduzem a história — três delas foram compostas especialmente para o espetáculo, com letras de Alexandre Reinecke e melodias de Bem Gil.

Em entrevista ao Diario, o diretor geral afirma que a montagem concretiza uma ideia que vem de décadas. Apaixonado por capoeira e praticante desde os 14 anos, ele revela que o primeiro esboço foi escrito em 1995. “O irmão de um amigo, Rodolpho Stroeter, estava produzindo um disco dele e fez a ponte. Um dia, Gil me ligou e disse que havia gostado da história e me deu o aval”, conta Alexandre, que, com este, encenou um total de 60 espetáculos.

A história da peça se passa em Salvador, no começo dos anos 1970, sob o clima de violência e repressão da Ditadura Civil-Militar, quando João, José e um grupo de amigos se reúnem diariamente para jogar capoeira. Tudo muda quando José leva João a um show de Juliana, que passa a frequentar a roda de capoeira e reencontra João, com quem viveu um romance no passado.

Autor do texto, Alexandre enfatiza que, ao longo dos 30 anos que vem elaborando o projeto, muita coisa foi alterada. “O país mudou demais. Mas principalmente, meu amadurecimento como diretor e dramaturgo entra na conta. Acho que o musical acaba acontecendo no momento certo, no qual os movimentos e culturas de matrizes africanas têm que ser defendidos e enaltecidos, pois são raízes de nosso povo. A capoeira, o candomblé, a música e seus ritmos, tudo veio mudando nesse tempo”, salienta. “Não tinha como essa canção não ser um clássico de nossa música e nossa gente. É linda, rica e intrigante, contando uma tragedia urbana brasileira”,