Alaíde Costa e Ayrton Montarroyos celebram confluências artísticas entre gerações em show no Recife
Dupla de artistas de gerações separadas por seis décadas se apresenta nesta sexta (10), às 18h30, no Teatro do Parque
Celebrando a força da música brasileira por meio do encontro entre dois talentos de gerações tão distantes da MPB, o Projeto Seis e Meia traz ao Teatro do Parque, nesta sexta-feira (10), às 18h30, o show de Alaíde Costa, de 90 anos, com Ayrton Montarroyos, de 31. O Conjunto Maravilha, grupo olindense conhecido por transitar entre o samba-raiz e o samba-rock, fará a abertura para comemorar seus 15 anos de trajetória, apresentando repertório autoral e releituras de Chico Buarque. Os ingressos estão à venda no site Sympla, na Loja Vagamundo e na bilheteria do teatro, no dia da apresentação, com valores entre R$ 75 (meia) e R$ 150.
Em entrevista ao Diario, Ayrton destaca que Alaíde não só representa uma parte da história da música nacional como continua escrevendo novos capítulos. “Sempre admirei a elegância, a coragem artística e a maneira como ela transforma cada canção em uma experiência única”, exalta o artista. “Estar ao lado dela é uma honra, uma grande oportunidade de aprendizado, porque ela nos ensina que interpretar é muito mais do que cantar afinado: é compreender o silêncio, a palavra e a emoção. Para mim, esse encontro é também uma forma de celebrar a continuidade da nossa música”.
Ao longo de mais de 70 anos de carreira, marcada por uma voz suave que ajudou a moldar as origens da Bossa Nova, Alaíde foi pioneira do movimento ao lado de nomes lendários, como João Gilberto, Tom Jobim e Carlos Lyra, além de manter uma produção artística ativa e aclamada pela crítica até hoje, como aponta Ayrton. O cantor pernambucano, natural do Recife, foi revelado nacionalmente no The Voice Brasil e passou a ser reconhecido e celebrado pela crítica, além de firmar parcerias importantes, como esta.
Montarroyos reforça que, para ambos, a interpretação sempre exigiu escuta. “Acho que esse é um dos principais pontos de encontro entre nós. A Alaíde sempre foi uma cantora que coloca a canção acima do virtuosismo, e essa também é uma preocupação constante no meu trabalho. A interpretação pede respeito pelo texto e disponibilidade para viver a emoção da música a cada apresentação”, explica o artista. “Isso cria uma dinâmica muito bonita no palco, porque não se trata apenas de cantar juntos, mas de construir uma narrativa compartilhada. Existe um diálogo muito sensível entre nossas vozes”.
A dupla revela que o repertório nasceu do desejo de criar uma conversa entre os dois universos, procurando canções que fizessem sentido para ambos — em força poética e na possibilidade de agregar novos olhares. “Adoro revisitar músicas conhecidas. Com Alaíde, isso ganha ainda mais significado, já que ela tem uma relação profunda com a história e, ao mesmo tempo, permanece tão aberta ao novo”, acrescenta Montarroyos.