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Radicado em Israel, Efraim Rushansky volta ao Recife para apresentar exposição em que explora raízes nordestinas

Exposição "Luzes de Tel Aviv, Cores do Recife" reúne obras recentes de Efraim Rushansky que aproximam paisagens israelenses e lembranças do Recife

Por Allan Lopes

Efraim Rushansky revisita em sua pintura as memórias da infância no Recife

Os milhares de quilômetros que separam Recife e a cidade de Tel Aviv, em Israel, nunca foram suficientes para apagar as memórias de Efraim Rushansky. Radicado no país desde 1969, o artista plástico continua revisitando em suas telas as ruas, os personagens e as paisagens afetivas da infância vivida no bairro da Madalena, que acolheu diversas famílias de imigrantes judeus ao longo do século 20.

Esse universo afetivo inspira a exposição “Luzes de Tel Aviv, Cores do Recife”, cuja abertura acontece nesta quinta-feira (9), a partir das 19h, na Galeria Terra Brasilis. Na mostra, Efraim evidencia que as recordações da capital pernambucana seguem mais vivas do que nunca em sua trajetória.

Nascido no Recife em 1950, ele mudou-se para Israel aos 18 anos e, desde então, construiu uma trajetória consolidada como artista plástico, escritor e guia especializado em arqueologia e histórias da Bíblia.

Mesmo distanteEfraim Rushansky preservou um vínculo permanente com o Recife, traduzido em uma pintura expressionista de pinceladas vigorosas e cores intensas. “Mais do que uma cidade física, é uma memória. O Recife que carrego dentro de mim é aquele da década de 1960, da política estudantil, das discussões existenciais e da inquietação intelectual”, explica o artista em entrevista ao Diario.

Com curadoria de Jacques Ribemboim , “Luz de Tel Aviv, Cores do Recife” reúne pinturas produzidas nos últimos anos que transitam entre autorretratos, figuras femininas, paisagens urbanas e cenas da infância.

São recortes que aproximam simbolicamente as duas cidades guardadas no coração e nas lembranças de Efraim. "Também introduzo elementos políticos. Em Tel Aviv, por exemplo, faço referências à crise política em Israel, aos processos por corrupção contra o primeiro-ministro e aos protestos em defesa da justiça. Ainda incorporo inscrições e grafites que encontro pelas ruas”, afirma.

A experiência de viver em duas pátrias o inspirou, inclusive, a escrever um livro, intitulado “O Equilibrista”, termo que o próprio artista usa para definir sua jornada. Segundo ele, o Recife continua sendo a base de sua identidade, mesmo após viver há mais de cinco décadas em solo israelense.

“Até hoje, a música que toca na minha casa é brasileira, principalmente nordestina. A comida também é muito parecida com a que eu cresci comendo. Nem sempre encontro os mesmos ingredientes, mas procuro manter esses sabores”, destaca.