Fundaj comemora centenário de Alexina Crêspo, pernambucana líder da defesa dos trabalhadores rurais
Evento na Fundaj revisita a trajetória de Alexina Crêspo com filmes, livro e exposição no Campus Gilberto Freyre, em Casa Forte
Uma das vozes mais atuantes na defesa dos trabalhadores rurais e das mulheres em Pernambuco, Alexina Lins Crêspo de Paula ajudou a escrever capítulos importantes da história do estado. Nesta terça-feira (30), quando se comemora o centenário de seu nascimento, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) realiza uma programação especial em sua homenagem, com atividades de cinema, literatura e artes visuais no Campus Gilberto Freyre, a partir das 18h30, em Casa Forte. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente. A bilheteria estará aberta ao público uma hora antes da sessão.
Nascida no Recife, no bairro de Afogados, em 30 de junho de 1926, Alexina Crêspo deixou um legado que segue sendo revisitado e estudado em diferentes frentes. A partir dele, o encontro dedicado à sua memória se estrutura como um espaço de preservação e reflexão. “O evento preserva a memória de uma militante política e escritora dedicada à construção de uma sociedade mais igualitária e socialmente justa, ao mesmo tempo em que busca enfrentar a invisibilidade histórica das mulheres, frequentemente marcada por apagamentos e silenciamentos”, afirma Tulio Velho Barreto, dirigente da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj.
A exibição dos filmes "Brazil – The Troubled Land" (1964) e "Alexina – Memórias de um Exílio" (2012), o lançamento do livro "Os Poemas de Apolo e outros escritos" e a abertura da exposição "Vermelho-Brasil: 100 anos de Alexina Crêspo" compõem o evento.
Juntas, as atividades revisitam diferentes fases de vida, da atuação nos movimentos sociais e políticos ao período de exílio durante a Ditadura Militar, passando pela produção intelectual e pela contribuição para a cultura pernambucana por meio da literatura, do teatro e de iniciativas de formação cultural. “Apenas uma pessoa com tal dimensão propicia a oportunidade de mostrá-la por meio de várias mídias e expressões culturais”, destaca Tulio.
Com a instauração da Ditadura Militar em 1964, Alexina Crêspo deixou o Brasil e iniciou um período de 18 anos no exílio, vivendo em Cuba, no Chile e na Suécia. Ao longo desse tempo, manteve contato com debates políticos internacionais e acompanhou os desdobramentos da conjuntura brasileira à distância. Retornou ao país em 1980, após a Lei da Anistia, e faleceu no Recife em 2013.
Confira a programação:
18h30 | Cine-debate – Cinema da Fundação
Exibição dos filmes Brazil – The Troubled Land (1964), de Helen Jean Rogers, e Alexina – Memórias de um Exílio (2012), de Stella Maris Saldanha e Cláudio Bezerra.
19h30 | Lançamento do livro Os Poemas de Apolo e outros escritos – Hall do Cinema
Publicada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), a obra reúne poesias e textos em prosa escritos por Alexina Crêspo entre 1980 e 2010. O livro tem organização de Raul Calle de Paula, apresentação de Cida Pedrosa, orelha assinada por Marcelo Mário de Melo e ilustrações de Sarah Bernardes da Silva.
20h | Abertura da exposição Vermelho-Brasil: 100 anos de Alexina Crêspo – Galeria Massangana
A mostra reúne fotografias, documentos, cartas, jornais e objetos que retratam a trajetória de Alexina Crêspo, desde a infância no Recife, passando por sua atuação política, o período de exílio e o retorno ao Brasil após a anistia. A curadoria é de Camila Maria Santos, Elaine Santana do Ó e Raul Calle de Paula.
Serviço
Centenário de Alexina Crêspo
Data: 30 de junho de 2026
Horário: A partir das 18h30
Local: Campus Gilberto Freyre, Av. Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte, Recife
Entrada: Gratuita