UFPE reúne estudantes para avaliar impactos e debater novas perspectivas após o incêndio
Estudantes e pesquisadores relataram perdas de materiais e pesquisas em decorrência do incêndio que atingiu um dos prédios da UFPE
O reitor e o vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes e Moacyr Araújo, respectivamente, reuniram estudantes, pesquisadores e coordenadores de laboratórios de pesquisa no Auditório João Alfredo, da Reitoria, para debater e avaliar o impacto após o incêndio que afetou o prédio do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit-SG), no dia 7 de outubro.
O momento iniciou com uma reunião, realizada entre os reitores e os professores que coordenam os laboratórios de pesquisa do Nupit-SG. Uma das professoras que coordenava um laboratório no prédio, Danielle Dutra, destacou que perdeu todos os materiais de uma pesquisa sobre autismo e TDAH que já estava avançada.
"Eu trabalho, atualmente, com desenvolvimento do sistema nervoso central e neurodivergências. Faço pesquisas sobre autismo e TDAH, com uma pesquisa já avançada nestes tópicos. Entretanto, a gente acabou perdendo tudo durante o incêndio e não conseguimos salvar nenhum órgão dos animais para que fizéssemos essa análise", comenta.
Ela ainda pede por reposições dos materiais que foram perdidos durante o incêndio. "Por isso, estou pedindo pela reposição destes animais, para que possamos dar andamento nessa pesquisa", reforça.
Outra professora e pesquisadora da UFPE, Judith Kelner, destacou que perdeu equipamentos caros em razão do fogo. "Nós perdemos tudo, todos os materiais possíveis. Por exemplo, estávamos desenvolvendo um robô que estava sendo utilizado na pesquisa do grupo de Redes e Telecom, que é um braço robótico caríssimo, mas acabou sendo destruído", destaca. "Todos os equipamentos, todos os livros, todas as prestações de contas... Tudo acabou sendo perdido. Foram salvas poucas coisas", completa.
Na reunião, o grupo de professores destacou que está sendo feita uma contabilidade dos projetos que estavam em andamento. "Estamos fazendo todo esse levantamento dos projetos de pesquisa, dos equipamentos e dos materiais que são necessários para projetos vigentes", reforçou Rafael dos Santos, professor de pesquisador da UFPE.
O reitor, Alfredo Gomes, falou que foi encaminhado o valor necessário para o Ministério da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. "Esse levantamento detalha sobre todos os projetos, equipamentos e insumos perdidos durante o incêndio", comenta.
Seguindo a programação, o reitor e o vice reitor se reuniram com estudantes da graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, que desenvolviam pesquisas no prédio afetado pelo incêndio.
Durante o encontro, os alunos relataram preocupações acerca do futuro das pesquisas, bolsas de iniciação científica, prazos e como iria se desenvolver o andamento dos estudos por conta da grande perda material de insumos e equipamentos.
A doutoranda em Ciência da Computação, Fernanda Franklin, relatou que o seu grupo de pesquisa perdeu um um protótipo de um robô "social", que são máquinas corporizadas, possuem emoções, personalidades e são altamente custosas. "Nós estudamos a interação humano-robô, trabalhando com a categoria de robôs sociais. Não temos robôs próprios, então fica muito caro importar", ressalta.
Ela ainda completa que terão que recomeçar o projeto do zero, após anos de desenvolvimento da máquina. "Estamos fazendo esse robô, do zero, desde 2019. A partir de novembro, iríamos começar a utiliza-los em pessoas, estudando o processo de interação humano-robô para, no próximo passo, fazer a intervenção para usá-lo com crianças autistas", afirma.
Os reitores, por fim, afirmaram que houve reuniões com instituições financiadoras de pesquisa como Cnpq, Capes e Facepe. "O mais importante, neste momento, é dar andamento nas pesquisas. Nesse sentido, tivemos sinalizações evidentes para o andamento do prazo das bolsas por parte do Governo Federal", conclui Moacyr Araújo.