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Demolição de prédio com risco de desabamento é concluída na Rua da União, no Centro

Edifício de 12 andares foi abandonado mesmo antes de sua conclusão; imóvel foi construído na década de 50 e processo de demolição começou em janeiro de 2026

Por César Moura

Edifício da Rua da União, nº 515, foi demolido

Um prédio que corria risco de desabamento foi demolido, definitivamente, nesta quinta-feira (15), na Rua da União, no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife. O trabalho, que começou em janeiro com os serviços preliminares, seguiu até o mês de outubro, com as fases iniciais manuais e, posteriormente, mecanizadas na reta final da demolição.

Os trabalhadores fizeram a demolição de forma manual do 12º ao quinto pavimento, com o uso de martelete, uma espécie de furadeira com sistema eletropneumático de impacto. Já no trabalho mecanizado, a demolição foi finalizada do quarto andar até o térreo, utilizando o entulho gerado pela própria obra como rampa de acesso para a escavadeira hidráulica.

Iniciado em janeiro, a obra teve como serviços preliminares o isolamento do perímetro, instalação de tela e bandeja de proteção, escoramento e fechamento dos vãos internos da edificação. Também foi feito escoramento específico, de acordo com o projeto elaborado por calculista contratado pela Prefeitura.

As intervenções estão sob a responsabilidade da Secretaria de Ordem Pública e Segurança (Seops), com investimento municipal de R$ 1,6 milhão.

Histórico

Construído na década de 1950, o Edifício 13 de Maio, imóvel de número 515 da Rua da União, fica localizado próximo à Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) e ao Ginásio Pernambucano, prédios históricos da cidade.

À época, a imobiliária União, responsável pela construção do edifício, não chegou a concluir a obra. Com o tempo, o prédio ficou a mercê do abandono estrutural, sendo progressivamente agravado em razão da ausência de manutenção e intervenções necessárias.

O caso chegou a ser judicializado. Entretanto, os proprietários são falecidos e não foi possível localizar herdeiros, não havendo qualquer resposta ou providência quanto às recomendações técnicas emitidas. Diante da iminência de danos às edificações vizinhas, tornou-se necessária a demolição como medida de proteção à coletividade.

Vizinho

Morador do prédio ao lado, o Edifício União, Alexandre Ramos comemora a demolição. "O prédio estava com o risco 4 de cair, que é o risco mais alto. A Defesa Civil fez esse laudo há quase 10 anos e nada se efetivava. Houve uma grande mobilização aqui dos moradores e das pessoas do entorno", enfatiza o vizinho.

"Em época de chuva, a gente via os pedaços do prédio caindo, então tinha muita gente que não dormia, ficava agoniado. A demolição trouxe mais benefício do que transtorno. A Rua da União ficou fechada desde março e isso afetou a mobilidade, mas acho que esse é um dano menor já que o benefício da demolição é muito maior e é permanente", constata Ramos, aliviado.

"O desafio agora vai ser justamente saber o que é que vão fazer com esse terreno. A prefeitura entrou com um processo na justiça para reaver pelo débito de IPTU. A moradora que morava há muito tempo tinha solicitado um usucapião, mas a gente não sabe se ela volta", questiona o morador.

Francisco Silva/ Arquivo DP - Edifício 13 de Maio, na Rua da União, antes da demolição.