° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Justiça determina restrições a dois bares após denúncias de poluição sonora no Pina

Os bares Tatu Bola e Pina Cocktails foram denunciados por causa do volume de som

Por Cadu Silva

Bar Tatu Bola, na Avenida Boa Viagem, teve licença sonora cassada

Dois bares no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife, foram alvo de decisões judiciais após denúncias de moradores e registros de irregularidades relacionadas à poluição sonora. As medidas foram obtidas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em ações civis públicas.

As decisões são de primeira instância e ainda podem ser contestadas por meio de recursos. As duas decisões não determinam o fechamento dos bares. Os estabelecimentos podem continuar funcionando como restaurantes, mas estão sujeitos às restrições relacionadas à emissão de som.

No caso do restaurante Tatu Bola, localizado na Avenida Boa Viagem, a 19ª Vara Cível da Capital determinou a cassação da licença sonora do estabelecimento. A decisão, de 10 de setembro, também condenou a empresa responsável, TBRP Restaurante Ltda, ao pagamento de R$ 20 mil por dano moral coletivo. O valor será destinado ao Fundo Municipal do Meio Ambiente do Recife.

Segundo o MPPE, o estabelecimento foi autuado oito vezes por poluição sonora. A Justiça considerou, entre outros elementos, os depoimentos de testemunhas ouvidas durante o processo. A licença sonora só poderá ser reativada caso o restaurante comprove que está dentro dos limites legais de emissão de ruído.

Drinks

Outra decisão envolve o Pina Cocktails Group Bar Ltda, localizado na Rua Estudante Jeremias Bastos. Em 17 de setembro, a 2ª Vara Cível da Capital determinou que o estabelecimento interrompa imediatamente qualquer emissão sonora, tanto na área interna quanto na externa.

A proibição inclui música ao vivo e som mecânico e vale até o julgamento definitivo da ação, podendo ser revista caso o bar comprova a regularização da situação.

De acordo com o MPPE, o estabelecimento acumulava autuações da Secretaria-Executiva de Controle Ambiental e Fiscalização do Recife (Secaf), teve o pedido de alvará sonoro negado e descumpriu uma interdição parcial que proibia o uso de equipamentos de som.

O bar também fica a cerca de 110 metros do Teatro Barreto Júnior, enquanto a legislação municipal estabelece uma distância mínima de 200 metros para esse tipo de atividade. Em caso de descumprimento da decisão, foi fixada multa de R$ 2 mil por ocorrência, além da possibilidade de apreensão dos equipamentos, interdição total do estabelecimento e responsabilização por desobediência.

As ações foram apresentadas pela 12ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, após denúncias de moradores e procedimentos administrativos com registros de vistorias e autuações.

Olinda também endurece regras para bares

Em 11 de agosto, o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) determinou que a Prefeitura de Olinda adotasse medidas contra poluição sonora e ocupação irregular de ruas e calçadas no Sítio Histórico. A decisão atingiu diretamente bares e outros estabelecimentos do chamado Setor Residencial Rigoroso.

Entre as determinações estão a proibição de som externo e de mesas e cadeiras no leito das ruas. O uso das calçadas só é permitido quando houver passagem livre para pedestres e cadeirantes. O Tribunal também cobrou fiscalização dos horários de funcionamento e dos alvarás dos estabelecimentos.

Após novas fiscalizações, a Prefeitura de Olinda informou que aplicou sete multas nos dias 22 e 23 de agosto e entregou uma intimação para um estabelecimento prestar esclarecimentos. Segundo a gestão, as operações ocorrem nos dias de maior movimentação no Sítio Histórico.

Em 27 de agosto, o TCE-PE homologou uma nova medida cautelar voltada ao funcionamento de bares e estabelecimentos similares. O Tribunal afirmou que as medidas são baseadas em regras municipais e estaduais já existentes.