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Monitoramento de tubarões captura primeiro animal após retomada de pesquisas em Pernambuco

Fêmea de tubarão-flamengo foi encontrada a cerca de 4 km da costa de Jaboatão; animal foi marcado, passou por coleta de amostras e devolvido ao mar

Por João Tavares

Fêmea de tubarão-flamengo foi capturada marcada, analisada e devolvida ao mar

O monitoramento científico de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife registrou a primeira captura desde a retomada das pesquisas. Uma fêmea de tubarão-flamengo, com 1,40 metro de comprimento, foi capturada no sábado (12), a cerca de 4 quilômetros da costa, em frente à praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

O animal foi marcado para identificação e passou por procedimentos de coleta de sangue, tecido e muco. Após a realização dos estudos, o tubarão foi devolvido ao mar em segurança.

A captura faz parte do Projeto ECOTUBA, coordenado pelo Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em parceria com o Governo de Pernambuco. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre os tubarões que frequentam o litoral e produzir dados que possam contribuir para ações de prevenção de incidentes e segurança no mar.

Espécie não é associada a ataques

Apesar de ter sido encontrado em frente a um trecho de Piedade onde o banho de mar é restrito por decreto municipal, o tubarão-flamengo não é considerado uma espécie relacionada aos incidentes com banhistas registrados em Pernambuco.

Segundo informações do monitoramento estadual, o animal tem comportamento considerado não agressivo e é uma espécie de ocorrência natural no litoral pernambucano. De pequeno porte, pode chegar a aproximadamente 2 metros, embora exemplares desse tamanho sejam pouco comuns. A alimentação é formada principalmente por peixes ósseos.

De acordo com Paulo Oliveira, professor do Departamento de Pesca da UFRPE e coordenador do ECOTUBA, a captura ocorreu a aproximadamente 15 metros de profundidade. O animal foi retirado com o uso de espinhel e uma isca de moreia.

“Quando capturado, o animal foi embarcado e o protocolo foi empregado, tendo sido medido, sexado, marcado, e coletado sangue e tecido. Com essas informações, vamos poder entender a biologia e ecologia dos tubarões encontrados no litoral”, explicou.

Pesquisa terá 24 meses e prevê marcação de até 50 tubarões

As atividades do ECOTUBA começaram em 4 de setembro e já passaram por pontos de Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes. Os lançamentos são realizados em profundidades entre 10 e 20 metros e a alguns quilômetros da costa.

Para Danise Alves, secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), os dados obtidos poderão ajudar a compreender como diferentes espécies utilizam o ambiente costeiro.

“Com mais informação e conhecimento científico, podemos aprimorar as ações de prevenção, orientação e segurança para um banho de mar”, afirmou.

O projeto tem duração prevista de 24 meses e investimento total de R$ 2,052 milhões. A expectativa é que até 50 tubarões sejam capturados e marcados durante o período de monitoramento.

Segundo Gustavo Pereira, secretário em exercício da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, a captura amplia o conhecimento sobre a presença dos animais no litoral de Pernambuco.

“A captura representa um avanço, pois permite ampliar os dados sobre ocorrência, distribuição, biologia e uso do ambiente por essa espécie no litoral pernambucano”, declarou.