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Pitombeira abre prévias de Olinda e inicia as comemorações pelos 80 anos de história

Tradicional bloco de Olinda reuniu foliões de diferentes gerações no feriado de 7 de Setembro

Por João Tavares - Especial para o Diario

Integrantes da Pitombeira dos Quatro Cantos se reúnem durante a abertura das prévias de Carnaval de Olinda

A tradição do Carnaval de Olinda começou a tomar as ruas nesta segunda-feira (7), feriado da Independência do Brasil. A Pitombeira dos Quatro Cantos, um dos blocos mais tradicionais da cidade, abriu as prévias carnavalescas do município e deu início às comemorações pelos seus 80 anos de história. Entre a música, as fantasias e a animação dos foliões, diferentes gerações se encontraram para celebrar uma tradição que atravessa décadas.

Com a festa, a Pitombeira também reforça a ligação histórica com o Carnaval de Olinda. Para quem acompanha o bloco há décadas, voltar às ruas representa mais do que uma festa, é uma forma de manter viva uma memória construída ao longo da vida.

Folia que atravessa gerações

Aos 79 anos, Judithe Pessoa é um exemplo dessa relação. Nascida e criada em Olinda, ela conta que participa do Carnaval da cidade desde os 2 anos de idade. Funcionária pública por 30 anos, nunca deixou de aproveitar a folia e, atualmente morando em Jaboatão dos Guararapes, continua fazendo questão de retornar a Olinda sempre que pode, acompanhada da família.

A relação com o Carnaval acompanha praticamente toda a trajetória de vida de Judithe e representa também uma conexão com a tradição cultural de Olinda.

Entre os foliões que fizeram questão de participar da abertura está Rafael Bernardo. Apesar de já acompanhar o Carnaval de Olinda há alguns anos, esta foi a primeira vez que ele participou da abertura das prévias.

Rafael conta que deixou de ir a Olinda no ano passado e se arrependeu. Por isso, garante que pretende voltar nos próximos anos. “Já teve um ano que eu não vim, que foi ano passado, mas me arrependi muito e agora todo ano vou estar aqui com certeza.”

Para quem ainda não conhece o Carnaval de Olinda, o folião deixa um convite direto: “Venha pra cá, que aqui é só alegria, ainda mais no dia 7 de setembro. É aqui, com certeza.”

Pitombeira inicia caminhada para os 80 anos

A abertura das prévias também marca um momento especial para a própria Pitombeira. O bloco inicia as comemorações pelos 80 anos mantendo uma tradição que, segundo o atual presidente, Hermes Neto, também se consolidou no calendário dos foliões.

“O projeto é uma alegria imensa. Estar em uma data tão importante para o Brasil e a gente está comemorando o 7 de setembro. Isso começou com o presidente Júlio Silva e, na minha gestão, a gente está dando continuidade a isso, sabendo que está no calendário de todos os foliões também.”

Hermes também destacou o momento de expansão vivido pela agremiação, com a chegada de um novo espaço, e falou sobre o que a Pitombeira pretende deixar para as próximas gerações.

“O legado que a gente tem para deixar é essa alegria contagiante que a gente tem que ter com os foliões. Estamos abrindo espaços para tentar fazer com que o folião se sinta mais confortável quando escutar o frevo. A gente tenta deixar isso, essa alegria, sempre muita paz e atender a todos.”

A história do bloco também é marcada pelo reencontro de antigos integrantes. É o caso de Rossana Rameh, integrante e dançarina da Pitombeira. Ela conta que voltou a desfilar pelo bloco no ano passado, depois de ter participado pela primeira vez aos 17 anos.

“Nesse momento é o segundo ano de reencontro com a Pitombeira, porque eu desfilei quando tinha 17 anos de idade. Depois eu saí, fui desfilar em outros blocos e agora voltei para meu bloco do coração, que é a Pitombeira. Estou fazendo 55 anos, são 35 anos de carnaval.”

Rossana já morou em Olinda e atualmente vive no Recife, mas mantém a ligação afetiva com a cidade e com a Pitombeira. “Já morei muito tempo em Olinda, moro hoje em Recife, mas Olinda é a minha cidade escolhida de paixão. Então, a Pitombeira é o meu bloco.”

De volta às ruas, ela resume o significado do reencontro com o Carnaval e com o bloco que considera do coração. “É reencontro com a energia, com a alegria. É reabastecer a vida, porque a vida é dura e a gente precisa se alegrar, curtir, ter energia boa, carnaval, amigos e bloco de carnaval. Para mim é isso. Tem quem brinca carnaval, tem quem faz o carnaval, tem quem brinca e faz. Eu sou dessas. Brinco e faço.”