Recife praticamente para de crescer e chega a 1,58 milhão de habitantes, aponta IBGE
Capital pernambucana teve alta de apenas 0,04% em um ano, enquanto população do Estado cresceu 0,22%; ritmo de expansão também ficou abaixo da média nacional
Recife chegou a 1.588.983 habitantes em 2026, segundo as novas Estimativas da População divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas nesta sexta-feira (28). O número representa um aumento de apenas 607 pessoas em relação à estimativa de 2025, quando a capital pernambucana tinha 1.588.376 habitantes. A taxa de crescimento foi de 0,04%, uma das menores entre as capitais brasileiras.
O ritmo praticamente estagnado de Recife contrasta com o crescimento da população de Pernambuco, que chegou a 9.583.176 habitantes em 2026. O Estado ganhou 21.169 moradores em um ano, com taxa geométrica de crescimento de 0,22%, pouco acima da média do Nordeste (0,21%), mas abaixo do índice nacional (0,37%).
O comportamento da capital reforça uma tendência já identificada pelo Censo 2022, enquanto Recife apresenta baixo crescimento ou redução populacional, municípios do interior vêm registrando expansão mais acelerada.
Petrolina, por exemplo, apresentou taxa média anual de crescimento de 2,31% entre os censos, enquanto Caruaru cresceu 1,53% ao ano. No mesmo período, Recife teve variação média negativa de 0,27% ao ano.
Interior ganha peso na população de Pernambuco
Apesar do ritmo lento, Pernambuco continua como o segundo estado mais populoso do Nordeste, atrás apenas da Bahia, que chegou a 14.889.472 habitantes. O Ceará aparece em terceiro lugar, com 9.302.211 moradores, seguido pelo Maranhão, com 7.024.557.
Em relação ao Brasil, Pernambuco é ainda o sétimo estado mais populoso, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul.
A diferença entre o desempenho de Recife e o de municípios do interior aponta para uma mudança na distribuição territorial da população pernambucana. O crescimento demográfico deixa de estar concentrado na capital e passa a ser mais distribuído entre diferentes polos urbanos do Estado.
Nordeste cresce em ritmo mais lento
A desaceleração populacional de Pernambuco acompanha uma tendência regional. O Nordeste passou de 57.244.485 habitantes em 2025 para 57.366.981 em 2026, um aumento de 122.496 pessoas, o que representa uma taxa de crescimento foi de 0,21%.
Pernambuco concentra cerca de 16,7% da população nordestina e mantém o segundo maior contingente populacional da região.
Entre os estados nordestinos, a Paraíba apresentou a maior taxa de crescimento, de 0,44%, seguida pelo Ceará, com 0,36%, e por Sergipe, com 0,34%. Piauí cresceu 0,24%, Rio Grande do Norte, 0,25%, e Pernambuco, 0,22%. Maranhão teve alta de 0,09%, enquanto a Bahia cresceu 0,12%. Alagoas praticamente ficou estável, com aumento de 0,01%.
O desempenho do Nordeste fica ainda mais distante do observado em outras regiões. O Sul cresceu 0,60%, o Norte, 0,68%, e o Centro-Oeste registrou alta de 0,94%. Santa Catarina, com 1,54%, e Mato Grosso, com 1,46%, estão entre os estados que mais cresceram. Roraima liderou o ranking nacional, com crescimento de cerca de 3%.
População do Brasil envelhece e cresce menos
A população brasileira chegou a 214.211.951 habitantes em 2026, contra 213.421.037 em 2025. O país ganhou 790.914 habitantes no período, com crescimento de 0,37%. Entre 2024 e 2025, a taxa havia sido de 0,39%.
A redução progressiva do ritmo de crescimento está relacionada à transição demográfica brasileira, marcada pela queda da fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida, uma combinação resulta em uma população que cresce cada vez menos e envelhece gradativamente mais.
O processo modifica a estrutura da população e tem impactos sobre previdência, saúde, mercado de trabalho e demanda por serviços públicos. A proporção de pessoas em idade potencialmente ativa tende a perder espaço enquanto aumenta a participação da população idosa.
É nesse contexto que se discute o encerramento gradual do chamado "bônus demográfico", período em que a população em idade economicamente ativa representa uma parcela proporcionalmente maior do conjunto da sociedade. As estimativas anuais do IBGE, isoladamente, não determinam o fim desse perído, mas acompanham a trajetória de envelhecimento apontada pelas projeções demográficas.
Estimativa influencia distribuição de recursos
Além de retratar a evolução demográfica do país, as estimativas populacionais do IBGE têm efeitos práticos na administração pública. Os números servem de referência para indicadores sociais, econômicos e demográficos e são utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo da distribuição dos fundos de participação de estados e municípios.
Para Pernambuco, os números de 2026 mostram um estado ainda em crescimento, mas com expansão cada vez mais lenta. Dentro dele, Recife apresenta uma situação ainda mais próxima da estabilidade, enquanto municípios como Petrolina e Caruaru ganham população em ritmo superior.
A tendência reforça uma transformação na geografia demográfica do estado: Pernambuco cresce pouco, mas o crescimento não ocorre de maneira uniforme entre seus principais centros urbanos.
Impactos na representatividade política
A mudança populacional também teve reflexos na representação política após o Censo 2022. Pernambuco, que tinha 8,8 milhões de habitantes em 2010, chegou a 9,1 milhões no Censo de 2022, crescimento de apenas 3%.
A redistribuição das cadeiras da Câmara dos Deputados calculada a partir dos novos dados indicava que o Estado passaria de 25 para 24 deputados federais. O Congresso, porém, aprovou em 2025 uma proposta que elevava de 513 para 531 o total de deputados, evitando a redução das bancadas dos estados que perderiam cadeiras na redistribuição. O projeto foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o Supremo Tribunal Federal decidiu que a mudança não seria aplicada às eleições de 2026. Pernambuco, portanto, mantém 25 deputados federais.
No caso do Recife, o efeito foi direto no Legislativo municipal. A população caiu de 1.537.704 habitantes em 2010 para 1.488.920 em 2022, fazendo a capital passar da faixa que permitia até 39 vereadores para aquela de até 37. A Câmara do Recife, por determinação baseada no Censo 2022, passou a ter 37 cadeiras na legislatura iniciada em 2025.
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