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Piscinas: veja cuidados para evitar afogamentos e outros acidentes

Após o caso de um garoto de 7 anos que morreu afogado em um parque aquático em Olinda, no Grande Recife, o Diario de Pernambuco reuniu orientações sobre os cuidados em piscinas

Por Nicolle Gomes

Diario reuniu orientações sobre cuidados envolvendo o uso de piscinas

As piscinas costumam ser espaços de lazer, convivência e saúde física. No entanto, é preciso manter a segurança para evitar que tragédias aconteçam. No último dia 25 de julho, um garoto de 7 anos morreu afogado em um parque aquático em Olinda, no Grande Recife, durante um dia que deveria ser de diversão.

No estado, as Leis nº 15.240/2014, nº 15.462/2015 e nº 14.300/2011 preveem a presença de guarda-vidas em locais de uso coletivo, sistemas hidráulicos de segurança anti-sucção para proteger crianças e placas visíveis com indicação de profundidade e avisos sobre mergulho, respectivamente.

O Diario de Pernambuco procurou o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-PE) para reunir as orientações de segurança e esclarecer como funciona o acompanhamento desses equipamentos.

Fiscalização

Apesar de ser a primeira instituição lembrada em casos de emergência, o Corpo de Bombeiros não é responsável pela fiscalização de funcionamento ou de estrutura de piscinas no estado.

A atuação da corporação limita-se à emissão de alvarás voltados à prevenção de incêndio e pânico, conta a tenente Paloma Mendes, do CBMPE. Além disso, os guarda-vidas exigidos por lei em locais de uso coletivo não são militares, mas profissionais contratados pelos próprios estabelecimentos.

O CREA-PE cuida de fiscalizações, mas com foco na responsabilidade técnica. De acordo com a superintendente técnica do órgão, Liliana Ramos, o conselho verifica se as obras, bombas e sistemas de sucção possuem engenheiros habilitados à frente do projeto e da manutenção, mas a instituição não tem autonomia para interditar ou fechar espaços por conta própria.

Quando irregularidades são encontradas, o órgão atua em fiscalizações integradas com outros entes, como Procon, prefeituras e Ministério Público, que possuem poder para paralisar atividades. Na prática, não há um órgão encarregado de realizar vistorias periódicas de rotina nas instalações físicas.

O risco silencioso dos acidentes e afogamentos

Para além das exigências técnicas e legais, a prevenção no dia a dia é o fator mais determinante para salvar vidas. É o que explica a tenente Paloma Mendes, do CBMPE. Segundo ela, o afogamento é uma das principais causas de morte acidental entre crianças de 1 a 9 anos e ocorre de forma rápida e silenciosa.

Mapear a dimensão exata desses acidentes em Pernambuco, no entanto, é um desafio. O CBMPE informou que não dispõe de um recorte de dados específico para ocorrências registradas estritamente em piscinas, contabilizando o indicador de forma unificada com outros ambientes aquáticos, como praias, rios e açudes.

"Diferente do que se vê em filmes, a vítima de afogamento raramente consegue gritar ou pedir socorro. É uma situação muito rápida, que pode acontecer até mesmo em um balde com pouca água", alerta a tenente.

Esse risco independe até mesmo da habilidade da criança na água. O profissional de educação física Jailton Santos vivenciou o drama quando a filha, Juliana, então com cerca de 10 anos e praticante assídua de natação, teve o cabelo sugado pelo ralo da piscina de casa.

"A cascata parou de funcionar e achamos que era ar no motor. Ficamos mexendo lá sem entender, até que meu outro filho avisou que a irmã estava há muito tempo embaixo d'água. Quando pulei, percebi que o cabelo dela tinha entrado no ralo e a sucção prendeu a cabeça dela no fundo. Arranquei o ralo com tudo para conseguir tirar", relembra Jailton.

Ele conta que fez a reanimação na borda até a chegada ao hospital. A garota passou quase uma semana na UTI e levou mais de um ano para perder o trauma de entrar na água novamente. “Ela não teve nenhuma sequela, graças a Deus, mas foi aterrorizante”, recorda Jailton.

Orientações

A principal recomendação destacada pela tenente é a supervisão. Adultos responsáveis devem manter atenção constante em crianças, evitando distrações como o uso de celular ou o consumo de bebidas alcoólicas.

As boias também são outro ponto que demanda atenção: o modelo ideal para crianças é o do tipo colete. Boias circulares ou de braço oferecem uma falsa sensação de segurança e correm risco de virar ou soltar.

Outra dica, para casos de piscinas compartilhadas e parques aquáticos, é vestir as crianças com trajes de banho em tons chamativos (como rosa choque, laranja ou amarelo neon), o que facilita a visualização imediata na água caso ocorra um mergulho involuntário.

Ainda dentro da água, é crucial certificar-se de que a piscina possui ralos com grade de proteção anti-sucção para evitar que cabelos ou roupas fiquem presos.

Nos arredores da piscina, também há riscos, avalia a tenente Paloma. O uso de cercas de proteção e lonas de cobertura é uma opção para evitar o acesso de crianças sem acompanhamento, o que ajuda a prevenir acidentes para além dos afogamentos.

“Em uma ‘brincadeira’, [a criança] pode bater a cabeça, as costas, lesionar a cervical. Então, ficar brincando de pular, de correr em borda, que é escorregadia, que tem água, é extremamente perigoso. A gente pede que evite isso a todo custo. Ficar saltando, pulando de cabeça, sem saber profundidade, também é outro nível de risco”, finaliza a tenente.

Em caso de emergência

Caso ocorra um acidente, a orientação dos bombeiros é acionar imediatamente o 193 (Corpo de Bombeiros) ou o 192 (SAMU).

Se a vítima for retirada da água consciente e expelindo água, a pessoa deve ser colocada deitada de lado (em decúbito lateral direito) até a chegada do socorro médico.

O CBMPE reforça ainda que pessoas sem treinamento de salvamento aquático jamais devem se jogar na água para tentar resgatar alguém, sob o risco de se tornarem uma segunda vítima; o correto é arremessar um objeto flutuante (como uma boia ou garrafa PET) e aguardar os profissionais.