Pernambucana está há 10 dias presa em nevasca entre Argentina e Chile e pede ajuda
Nadja Alexandrino, de 49 anos, está com o marido e a filha de 11 anos em uma fila de caminhões
A pernambucana Nadja Alexandrino de Medeiros Gonçalves, de 49 anos, está há dez dias presa com o marido, Emerson Gonçalves Bezerra, de 52, e a filha do casal, Sofia, de 11 anos, em uma fila de caminhões na fronteira entre a Argentina e o Chile. A família viaja em uma carreta carregada de carne com destino a Santiago e está entre os motoristas que aguardam a liberação da passagem em meio a uma forte nevasca que bloqueou o trânsito na região.
Eles estão na Argentina desde 21 de julho e de acordo com Nadja, quando iniciaram a viagem, não havia expectativa de que as condições climáticas provocariam uma retenção tão prolongada. A família saiu do Brasil após uma viagem que começou com o transporte de chocolate, descarregado no Maranhão, e seguiu até Mato Grosso, onde a carreta foi carregada com carne para ser levada ao Chile.
“O nosso destino final é Santiago. Nós estamos carregados de carne para Santiago. Quando saímos de lá, não tínhamos noção nem ideia do que estaria acontecendo aqui. Na verdade, quando entramos aqui na Argentina, ainda não se tinha essas informações de fechamento das fronteiras, porque o tempo não estava nevando como tem estado ultimamente.”
A expectativa inicial era de que a viagem fosse concluída dentro do período de férias de Nadja e da filha. Com a paralisação, porém, os planos da família foram interrompidos. Enquanto permanece na estrada, Nadja tenta trabalhar remotamente, e a filha aguarda o envio de conteúdos escolares para acompanhar as atividades mesmo longe de casa.
A família está em uma fila de aproximadamente 132 quilômetros formada por caminhões, segundo Nadja. Ela afirma que ainda está a cerca de 714 quilômetros do Chile e que, mesmo depois de conseguir avançar, haverá outras etapas até a entrega da carga, incluindo procedimentos de avaliação e liberação.
“Nós estamos a 714 km do Chile, mas ainda temos um processo para poder chegar e descarregar, porque ainda tem que passar para a questão da avaliação da carga e tudo isso. Devido à quantidade de carretas, tem sido mais demorado. Então a gente não tem nem previsão de quando vai conseguir descarregar. Estamos numa fila aqui de 132 km de carreta, que estão em fila dupla.”
A situação se agravou depois que a família percebeu que a espera não seria temporária. Segundo Nadja, durante os primeiros dias na Argentina, os viajantes receberam informações sobre as fortes chuvas e, posteriormente, sobre a intensificação da neve no Chile, até que a passagem das carretas foi bloqueada.
“A gente tem enfrentado bastante frio, tanto lá fora quanto aqui dentro. Às vezes o frio é muito intenso aqui e meu esposo liga o aquecedor, só que, devido ao combustível, esse aquecedor não pode ficar ligado o tempo todo. Então a gente dá aquela esquentada dentro da cabine, depois desliga e nos agasalhamos. Temos aqui uns cobertores e, para não ficar frio para ninguém, na hora de dormir, dormimos os três bem juntinhos e dividimos as cobertas.”
Família relata falta de assistência
Além das condições climáticas, Nadja afirma que a assistência aos motoristas e passageiros retidos é insuficiente em alguns pontos da fila. Ela diz que existem locais onde são distribuídos alimentos, como sopa, e pontos de atendimento de saúde, mas a família está distante dessas estruturas e tem dificuldade para chegar até elas.
A pernambucana também relata que já procurou diferentes autoridades em busca de ajuda. Ela afirma ter enviado um e-mail ao presidente da Argentina solicitando atenção para a situação das pessoas retidas e medidas que permitam a liberação do tráfego.
No Brasil, Nadja diz que conseguiu contato com pessoas ligadas a ministérios da Presidência da República, que forneceram o número do Consulado brasileiro na região. Segundo ela, porém, o contato com o órgão não resultou, até o momento, em uma solução para a família.
A família também teria sido orientada a procurar a polícia para registrar a situação e Nadja afirma que policiais chegaram a aparecer na região depois de um roubo, mas que não há atendimento permanente aos motoristas que permanecem parados na estrada.
Segundo a pernambucana, a preocupação aumenta diante da possibilidade de os suprimentos acabarem. Ela também afirma ter recebido relatos de mortes de motoristas que estavam retidos na região.
A família pede que autoridades brasileiras, argentinas e chilenas adotem medidas para garantir assistência e segurança às pessoas que continuam presas na região.
Pedido de ajuda
Nadja Alexandrino de Medeiros Gonçalves
49 anos - Apoio Técnico Administrativo
Pix: nadjaalexandrino@gmail.com
Emerson Gonçalves Bezerra
52 anos - Motorista carreteiro