° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Justiça revoga prisão preventiva de suspeita de envenenar PM no Recife

Suspeita de envenenamento está internada em estado grave no Hospital da Restauração após se jogar da janela

Por Adelmo Lucena

cabo da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) de 40 anos, José Maria Alexandre da Silva Junior

A Justiça revogou, nesta sexta-feira (31), a prisão preventiva de Helen Kelly de Lima Pedrosa, suspeita de envolvimento na morte do policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior, ocorrida em junho deste ano, no Recife. O militar, que atuava na Cavalaria da Polícia Militar, foi encontrado morto no apartamento da ex-namorada, com indícios de envenenamento.

Helen Kelly está internada em estado grave no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central da capital. Ela ficou ferida após se jogar do quarto andar de um edifício, em Boa Viagem, na Zona Sul, no momento em que policiais civis cumpriam mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra ela.

Na decisão, a Justiça substituiu a prisão por medidas cautelares. A suspeita deverá comparecer a todos os atos do processo, manter o endereço atualizado, não deixar a comarca por mais de cinco dias sem autorização judicial, não manter contato com familiares da vítima e testemunhas e utilizar tornozeleira eletrônica.

A juíza também determinou que a direção do Hospital da Restauração seja comunicada da revogação da prisão para que a escolta policial seja retirada. O órgão responsável pelo monitoramento eletrônico foi informado para providenciar a instalação da tornozeleira assim que o estado de saúde da paciente permitir ou, obrigatoriamente, no momento da alta hospitalar.

Mudança na investigação

Inicialmente, Helen Kelly era tratada pela investigação como vítima de uma tentativa de envenenamento. Na época do crime, ocorrido em 11 de junho, ela possuía uma medida protetiva contra o policial, que, segundo a investigação, foi ao apartamento dela descumprindo a ordem judicial. Dias antes, ele teria enviado mensagens exigindo que a mulher retirasse a medida.

Segundo o relato apresentado por Helen à polícia, os dois consumiam bebidas energéticas quando ela percebeu que as taças haviam sido trocadas após se afastar por alguns instantes para buscar gelo. Ela afirmou que, temendo estar em risco, voltou a trocar os recipientes antes de o policial ingerir a bebida.

Pouco depois, o militar passou mal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas ele morreu no local. Durante a ocorrência, policiais encontraram na mochila da vítima um facão, entorpecentes e medicamentos.

A investigação mudou de rumo mais de um mês depois, após o depoimento de um ex-namorado de Helen Kelly. Segundo a Polícia Civil, o homem afirmou que também teria sido alvo de uma tentativa de envenenamento e que a mulher teria feito falsas denúncias de agressão contra ele.

Com base nos novos elementos reunidos durante a apuração, a Justiça decretou a prisão preventiva da mulher, que passou a ser investigada como principal suspeita da morte do policial.

Quando os agentes chegaram para cumprir o mandado, Helen Kelly pediu para trocar de roupa e se lançou da janela do apartamento, localizado no quarto andar do edifício. Imagens de câmeras de segurança registraram a queda. Ela foi socorrida pelo Samu com múltiplas fraturas e permanece internada.

O exame toxicológico realizado no policial identificou a presença de clonazepam, medicamento de uso controlado.