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Olinda recebe cortejo de conscientização sobre violência contra a mulher no sábado (1º)

Ação antecede evento marcado para 8 de agosto, que terá debates, palestras e atividades culturais

Por Adelmo Lucena

Mariana Gusmão e Paula Limongi, idealizadoras do Cortejo das Mulheres

As ladeiras de Olinda serão ocupadas por mulheres no sábado (1º), durante o Cortejo das Mulheres, ação que abre a programação do Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência doméstica e familiar. A mobilização, que percorrerá o Sítio Histórico da cidade, busca chamar a atenção para a violência de gênero em um momento em que Pernambuco registra o maior número de feminicídios desde 2017 e o Brasil bate recorde desse tipo de crime.

Promovido pelo movimento Somos Lilás Brasil e pelo Instituto Banco Vermelho, o cortejo terá concentração às 16h, no Bar do Ró, no bairro do Amparo, com saída prevista para as 17h. O percurso passará pelas ladeiras do sítio histórico e será encerrado no Largo do Amparo, onde ocorrerá um encontro de nações de maracatu em celebração ao Dia Nacional do Maracatu.

A iniciativa nasceu de reflexões da fundadora do Somos Lilás Brasil, Mariana Gusmão, após experiências vividas durante o carnaval deste ano em Olinda. Segundo ela, a proposta surgiu a partir da percepção de que muitas mulheres ainda convivem com situações de assédio e violência mesmo em espaços de lazer.

“Foi vivendo e vendo essa experiência que eu comecei a pensar em como poderia trazer essa temática, essa conscientização do combate à violência contra a mulher, mas através da cultura. Nem toda mulher está disposta a sair com um cartaz e participar de um protesto. Mas a cultura consegue atingir mais pessoas. Muita gente quer ir para a rua. Então, é uma causa que realmente é importante para a gente”, disse.

Em Pernambuco, 88 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 14% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 77 casos. O número representa a maior quantidade de feminicídios contabilizada no estado desde 2017.

No ano passado, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número já contabilizado no país. O levantamento mostra que a maioria das vítimas foi morta por parceiros ou ex-parceiros e dentro da própria residência.

Para a diretora executiva do Instituto Banco Vermelho, Paula Limongi, os números ajudam a explicar a necessidade de ampliar as mobilizações sobre o tema. Segundo ela, a intenção é que a iniciativa ganhe dimensão nacional nos próximos anos. “A ideia é que, no ano que vem, a gente tenha o Rio Lilás, o São Paulo Lilás, o Salvador Lilás, e que a gente cresça como um movimento para que a sociedade entenda a campanha e a importância dela.”

Evento principal acontece no dia 8

O Cortejo das Mulheres funciona como uma prévia do Olinda Lilás, evento marcado para o próximo dia 8 de agosto. A programação gratuita ocupará o Teatro Fernando Santa Cruz, o Largo do Guadalupe e a Praça do Carmo com debates, palestras, oficina de defesa pessoal, apresentações culturais e ações de orientação da rede de proteção às mulheres.

Entre os destaques estão a participação da ativista Bárbara Penna, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, e um grande cortejo carnavalesco dividido nas alas da Esperança, da Celebração e do Compromisso, em referência à luta pelo fim da violência contra as mulheres.