Ações de monitoramento de tubarões no Grande Recife atrasam e só devem começar em agosto
Primeira etapa dos monitoramentos de tubarões no Grande Recife estava prevista pelo Comitê de Incidentes (CEMIT) para ter início a partir deste mês de julho
O processo de chipagem para monitoramento de tubarões nas praias do Grande Recife está atrasado e só deve ter início no meio de agosto. A informação foi apurada pelo Diario de Pernambuco nesta segunda-feira (27).
Esta é a primeira etapa do projeto de acompanhamento dos animais. Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a captura e marcação só terão início em 17 de agosto, retomando o monitoramento científico dos animais no Grande Recife desde 2015.
De acordo com as informações apuradas pelo Diario, o barco que será utilizado para o processo ainda está em fase de adaptação. Em nota, o Cemit afirmou que o projeto foi iniciado, mas apenas algumas atividades estão em execução.
“A Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha informa que já está em execução o 'Projeto ECOTUBA: Estratégias de Monitoramento e Prevenção de Incidentes com Tubarões no Litoral de Pernambuco', por meio do Programa Cientista Arretado", diz o texto.
Ainda segundo a nota, em julho "a equipe iniciou as atividades de compra de equipamentos e organização logística das saídas de campo. Dentre elas está a contratação e adequação da embarcação náutica, para assegurar o manejo adequado dos tubarões e a segurança dos membros da equipe a bordo, atualmente em execução".
O Cemit finaliza o posicionamento destacando que "o início das capturas e marcação (implantação de microchip) dos tubarões será a partir da saída piloto, prevista entre os dias 17 e 23 de agosto. No projeto está prevista a marcação de 50 animais ao longo de 24 meses”.
Ataques e monitoramento
Após dois anos e 10 meses sem incidentes com tubarões na área do Grande Recife, Pernambuco voltou a ter registros na região.
Em 2026 já foram três casos: o primeiro em 29 de janeiro, quando um garoto de 13 anos morreu na Praia Del Chifre, em Olinda; e outros dois em 31 de maio e 1° de junho, em Piedade e Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. As vítimas foram um menino de 11 anos e uma jovem de 19. Ambos sobreviveram, mas perderam uma perna.
Há risco crítico de incidentes com tubarões em 33 quilômetros do litoral do Grande Recife: da Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, até a Praia do Farol, em Olinda.
O anúncio da retomada da fiscalização dos bichos foi feito em primeira mão pelo Diario em janeiro deste ano, poucos dias antes do primeiro incidente na região em 2026.
O trabalho é realizado por equipes especializadas da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integra um projeto coordenado pelo Cemit, chamado “Monitoramento de Tubarões no Litoral Pernambucano: Integrando Ciência, Tecnologia e Inovação na Prevenção de Incidentes”, com investimento de R$ 1,052 milhão, segundo o Governo do estado.
A iniciativa busca compreender como os animais utilizam as áreas costeiras da Região Metropolitana do Recife (RMR), identificar possíveis zonas de risco e gerar informações científicas que auxiliem na prevenção de incidentes.
Como será
O monitoramento funcionará em etapas. Antes da captura, dez receptores acústicos submersos serão instalados no litoral metropolitano para detectar os animais em um raio de até um quilômetro.
A pesca científica será feita com espinhéis, equipamento de captura de peixes grandes, em pontos estratégicos.
Na embarcação, os tubarões passarão por avaliação biológica, exames (como ultrassom em fêmeas) e coleta de amostras de sangue e tecido. O procedimento todo deve durar em torno de 15 minutos para reduzir ao máximo o estresse do animal.
Antes de devolver o animal ao mar, os cientistas implantarão um transmissor acústico do tamanho de uma pilha, que emite sinais aos receptores.
Os dados de deslocamento capturados pela rede também servirão para avaliar se há migração entre a costa e o arquipélago de Fernando de Noronha, onde já há monitoramento contínuo de tubarões.